Equipa d´O Ciclista

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domingo, 27 de agosto de 2017

Um mistério sem fim



Estava a caminho de casa quando começou a chover torrencialmente. O céu estava carregado de nuvens cinzentas e trovejava imenso. Corri até ao lugar coberto mais próximo para me abrigar. Assim, entrei num edifício onde nunca tinha estado antes. Parecia uma biblioteca já muito antiga com livros por todo o lado. Avancei, passo a passo, e fui observando cada canto. Havia algo de diferente nela… parecia mais escura do que o normal, parecia estar assombrada. É óbvio que era só um sentimento estúpido, pensei. Estava vazia e começava a meter medo. Queria sair dali, porém a chuva continuava muito forte.
De repente, apanhei um enorme susto, pois deparei-me com um senhor alto, com uma capa preta e com uma cara sisuda. Este dirigiu-me a palavra:
- Quem és tu? - perguntou, zangado - Que andas a fazer?
- Eu, eu, ah… eu entrei aqui para me abrigar da chuva - respondi, assustada.
- E como é que conseguiste entrar? - questionou o homem, parecendo confuso.
- Eu vi uma janela meia aberta e consegui entrar - esclareci.
- Pronto, podes ficar aqui até a chuva parar, mas depois vais-te embora e nunca mais cá voltas, ouviste? E não fales a ninguém deste sítio! - ordenou o senhor com um ar assustador. - Ah! e, enquanto aqui estiveres, ficas aqui quietinha e não mexes em nada! Eu tenho que ir tratar de uns assuntos, mas tens de me jurar que não mexes em nada!
- Eu prometo - confirmei, acenando com a cabeça, mas cruzando os dedos atrás das costas.
Esperei que ele fosse embora e comecei a explorar. Não ia ficar ali especada a olhar para o boneco. Havia naquela biblioteca algo misterioso e estava disposta a desvendar o caso. Muito silenciosamente, fui percorrendo todos os cantos da sala, todos eles sombrios e assustadores. Passado algum tempo, vi uma coisa que me chamou a atenção. Um livro, escondido no meio dos outros todos, brilhou com uma luz muito intensa, fazendo o reflexo de um enorme relâmpago, ao mesmo tempo que soltou um grito. O meu coração começou a bater a mil à hora e senti um desejo urgente de fugir, porém os meus pés pareciam estar colados ao chão. E a minha mão, desobedecendo às minhas ordens, agarrou o livro e escondeu-o debaixo do casaco.
A chuva não tinha parado, mas o que é certo é que saí disparada da biblioteca e corri até casa. Não sei por que estava a reagir de tal forma. Parecia que alguém me estava a controlar! Mal entrei em casa, corri até ao meu quarto, fechei a porta e pousei o livro na secretária. Olhei para ele com atenção. Na capa, estava escrito “Livro de magia negra”. Tentei abri-lo, porém estava fechado com um cadeado. Bolas! Era preciso uma chave para o abrir! Percorri a casa toda em busca de todas as chaves. Experimentei uma a uma, mas nenhuma entrava. De repente, veio-me uma ideia à cabeça. Se era um livro de magia, a chave devia ser uma palavra mágica. Comecei a soltar para o ar uma data de palavras relacionadas com magia, mas nenhuma funcionava. Pus-me a pensar durante algum tempo. “É claro! Se é um livro de magia negra, a palavra chave só pode ser uma.”
- Morte - disse.
A fechadura abriu-se subitamente. Resultou! Abri o livro cuidadosamente e de lá saíram gemidos, gritos e bastante fumo. Senti um arrepio profundo a percorrer-me o corpo de cima a baixo. Folheei o livro e, para minha surpresa, todas as páginas estavam em branco. Não, nem todas. Havia uma com um texto escrito. Seria algum feitiço? Não sabia. Sei que comecei a ler o texto em voz alta ao mesmo tempo que a chuva caía fortemente e os relâmpagos invadiam o céu. Quando acabei de ler, um enorme relâmpago caiu ao lado da casa, destruindo com um estrondo infernal uma árvore do jardim. Nesse mesmo momento, o livro começou a abanar e de dentro dele saíram bruxas, bruxos, feiticeiros, monstros, vampiros, fantasmas e zombies. Era como se eles tivessem presos dentro do livro e eu os tivesse libertado. Desatei a fugir quando apareceram aquelas criaturas todas. Eram milhares! Começaram a espalhar-se pela cidade, destruindo edifícios, casas e automóveis e matando pessoas. Felizmente, consegui esconder-me num local seguro. “Não acredito no que se está a passar! Tudo isto por minha culpa! Bem, tenho que salvar esta cidade destas criaturas antes que não reste nem uma pessoa. Mas…como?”. De repente, veio-me à cabeça a imagem do homem da biblioteca. Ele devia saber o que se estava a passar e saber o que fazer. Quem sabe, não seria ele um feiticeiro dos bons. Estava prestes a começar a correr para ir ter com ele, quando ele próprio me apareceu à frente numa nuvem de fumo.
- Aqui estás tu! - exclamou ele. - O que é que tu fizeste?! Não disse para não mexeres em nada? Eu sei que levaste o livro. Onde é que ele está? – perguntou o homem com cara, simultaneamente, de chateado e preocupado.
- Está em minha casa. - respondi.
- Onde é que fica? - questionou.
- Rua das palmeiras, número 10 - disse eu, quase sem conseguir respirar.
Num abrir e fechar de olhos, estávamos no meu quarto. Para nossa surpresa, apareceram três bruxas e fizeram um círculo à nossa volta. Antes que o feiticeiro pudesse fazer alguma coisa, uma delas disparou um raio contra ele e este caiu no chão.
Ali estava eu, sozinha e com o coração a bater a mil à hora, com três bruxas sem saber o que fazer. Elas aproximaram‑se cada vez mais e, quando estavam prestes a matar-me, eu acordei sobressaltada. Afinal, tudo isto não passara de um sonho. Ufa, que alívio!
Levantei-me da cama, já mais descansada, e, qual não foi o meu espanto, ao ver, em cima da secretária, um monte de chaves, aquelas que eu tinha usado para tentar abrir o livro. Mas… não fazia sentido! Afinal, será que tinha sido apenas um sonho?
Joana Cruz, 8.º B, Escola Básica de Vilarinho do Bairro


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