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sábado, 26 de agosto de 2017

A carta de foral



Era a última aula do 2.º período, numa sala de aulas igual a tantas outras, com o sol a entrar pela janela e a iluminar as nossas mentes, ansiosas pelo toque da campainha que, finalmente, nos levaria para as tão esperadas férias da Páscoa.
E, por fim, ela tocou. Dei por terminada a interminável equação que estava a tentar resolver, arrumei os livros na mochila e saí a correr da sala para ir ter com os meus amigos, Pedro e Marta, que estavam à minha espera no portão da escola para combinarmos as nossas férias da Páscoa, que iam ser passadas, em Guimarães, em casa da Dona Teresa, tia do Pedro, e que havia falecido há duas semanas.
Passado algum tempo, estava eu já em casa a preparar as malas para a viagem, o Pedro ligou-me a dizer que era para estar, no dia seguinte, em casa dele às duas da tarde para, depois, irmos de autocarro todos juntos até Guimarães.
O grande dia chegou e eu acordei, logo de manhã, com um grande sorriso, ansiosa pela viagem. Às três horas da tarde, estava já junto do Pedro, à espera da Marta, prontos para apanharmos o autocarro.
Quando chegámos a Guimarães, já eram seis horas e nós estávamos muito cansados. Num ápice, saímos do autocarro e fomos a pé até à casa da Dona Teresa. A casa não era muito longe e estava localizada num bairro pequeno e bastante acolhedor.
Entrámos na casa, desfizemos as malas e instalamo-nos na sala a ver televisão perto da lareira. Momentos mais tarde, quando me dirigia à cozinha para ir buscar comida, tropecei numa tábua mal pregada ao chão. Qual não foi o nosso espanto quando, de repente, a lareira se movimentou, abrindo-se um compartimento por detrás dela. Nós ficamos muito assustados e, com cuidado, fomos ver o que se encontrava lá. Deparámo-nos com um pedaço de papiro muito velho onde estava escrito: “Na ETNOF tu vais encontrar o ORIPAP que ao ORUOSET te vai levar”. Ficámos horas a tentar decifrar aquela mensagem, até que o Pedro com o seu cérebro fantástico se lembrou que as palavras-chave poderiam estar com as letras ao contrário. Até porque assim a mensagem fazia mais sentido: “Na FONTE tu vais encontrar o PAPIRO que ao TESOURO te irá levar”. Olhámos uns para os outros a questionar-nos que fonte seria, até porque nós não conhecíamos muito por aqueles lados.
Excitadíssimos, decidimos sair de casa e perguntar a algumas pessoas se sabiam onde poderíamos encontrar uma fonte, até que uma senhora nos disse que havia uma fonte não muito longe dali.
Fomos até lá imediatamente e, quando chegámos, ficámos muito espantados, pois não havia nada fora do normal com aquela fonte, parecia-nos uma fonte igual a tantas outras. Então, começamos a explorá-la e encontrámos uma argola no fundo da água que se acumulava por baixo da torneira. Nós puxámos a argola e abrimos um alçapão. De repente, para nosso susto, toda a água da fonte havia desaparecido. De dentro do alçapão, tirámos um bocado de papiro, milagrosamente seco, no qual dizia: “Na vivenda Albuquerque encontra-se o tesouro”.
Pensativos, fomos para casa, decididos a descobrir onde era aquela vivenda. Chegámos a casa, jantámos e sentámo-nos relaxadamente no sofá ao redor da lareira. Pedro olhava fixamente para a lenha que ardia e, subitamente, os seus olhos brilharam mais do que o normal e exclamou:
- Albuquerque… Albuquerque era o apelido da minha tia Teresa. Portanto, o enigma deve referir-se à sua antiga vivenda na Quinta dos Sobreiros.
No dia seguinte, ao raiar do sol, apressámo-nos para apanhar o autocarro com destino à antiga Quinta dos Sobreiros. Quando lá chegámos, procurámos a vivenda Albuquerque e encontrámo-la encoberta por uns sobreiros altos, que davam à casa uma aparência sombria e misteriosa.
Entrámos e vimos imensas aranhas e pó. Decidimos explorar a casa à procura de pistas e encontrámos um alçapão no teto. Foi muito complicado alcançá-lo, pois ainda estava um pouco alto. Quando finalmente o alcançámos, abrimo-lo e subimos umas escadas de ferro que davam acesso a uma sala grande e escura. Ficámos muito intrigados com a existência daquela sala secreta, até que, ao fundo dela, encontrámos uma arca. Era uma arca bastante velha, logo não foi muito complicado abrir a sua fechadura. Quando a abrimos, deparámo-nos com uma carta de foral, onde estava escrita a história de Guimarães. Era um documento procurado há anos e anos, uma vez que a história e a tradição desta cidade apenas tinham sido perpetuadas pelo saber popular.
Saímos da Quinta dos Sobreiros a correr e fomos diretamente ao museu da cidade entregar a nossa tão ilustre descoberta. Todos ficaram muito admirados com o facto de nós termos conseguido descobrir a carta de foral que há tantos anos era procurada por profissionais.
No fim desta aventura, orgulhosos do nosso feito, questionámo-nos sobre o motivo de as pistas terem começado na casa da Dona Teresa. Será que esta saberia o local onde se encontrava a carta de foral? E, se sim, porque é que a escondera? Estas são algumas questões para as quais, se calhar, nunca obteremos uma resposta…  
Mariana Moniz, 8.º B, Escola Básica de Vilarinho do Bairro

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