Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Coordenação: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A Harmonia salva...

Vencedor do Género Gustavo Campar

Parabéns, Anna!

A Harmonia salva...

Algures nos dias de hoje, o planeta foi invadido por alguém que tencionava impor as suas leis e dominar tudo. Ele era tão forte, poderoso, que mesmo todas as pessoas juntas não o conseguiam combater! Ele tornava seus adeptos tudo e todos à sua volta e os que queriam proteger - se, ficavam em casa e não saíam à rua.

Conquistava cada vez mais países, até ter todo o mundo nas suas mãos! Governava tudo, absolutamente tudo, voava pelos ares e gritava ‘’Eu sou o rei’’. Sim, era o rei Covid XIX, da dinastia dos Vírus, de um reino com grandes multidões de pessoas, sujidade e condições insalubres.

  A maioria das pessoas tinha medo dele, protegendo - se em casa para não serem atacadas pelos seus soldados. Outras, achavam que era tudo uma história inventada e não respeitavam as regras de segurança (mas acabavam por ser apoderadas).

Viviam-se momentos muito complicados, tudo estava parado, tudo estava imobilizado! Realmente ninguém, mesmo ninguém sabia como derrotar este tão dominante e veemente rei.

  Na verdade, existia alguém que não tinha medo dele, ou até poderei dizer de quem o rei tinha medo, era a Senhora Máscara e o Senhor Sabão, que protegiam muitas pessoas contra este malicioso rei, mas mesmo assim, não eram a solução!

  Num país qualquer, numa casa que não sei como era, viviam dois irmãos, o menino Mu e a menina Lu. Eles eram muito diferentes: Mu não se importava com coisa alguma, nada o fascinava, nadinha! Tudo para ele aborrecido, fastidioso! Já Lu era o seu oposto, tinha interesse em todos os ‘’porquês’’ da Natureza, tudo a maravilhava e cativava. Todos os fenómenos que ocorriam à sua volta eram motivo para refletir.

Durante estes tempos árduos, ambos estavam fechados no seu pequeno apartamento e não saíam à rua para não serem alvo das tropas do rei. Mu passava o tempo a dormir e Lu a ler, pois sabia que a leitura era a melhor forma de compreender o que a rodeia, e um excelente meio para ser cada vez melhor, não só em termos de aprendizagem (porque os livros são também nossos professores), como também na forma de ser (porque os livros tornam - nos melhores pessoas).

Apesar de estarem protegidos em casa, sentiam receio e inquietação, querendo muito expulsar este cruel rei para bem longe, para as pessoas voltarem a ser felizes. 

E assim passou muito tempo, mas nada! Ele tão forte, tão poderoso, que ninguém nem nada o conseguia parar! Cada vez havia mais escravos que trabalhavam para ele.

E assim passava o tempo…

….

Numa manhã normal, bem, não sei se era normal, Mu acordou tão cedo, quando ainda ‘’espreguiçavam’’ os primeiros braços do sol, e correu logo para acordar a sua irmã.

-   Lu, Lu, acorda!

-   Ai Mu, é tão cedo ainda. O que queres?

-   Preciso de te contar...

Lu sentou-se junto ao irmão, com os dedos limpou os olhos e ouviu com atenção.

-   Eu sonhei que alguém me dizia “Procura a solução em ti…”.

-   Uma voz?

-   Sim, desconhecida.

-   Bem, acho que te queria dizer algo. Hum, solução...

-   Queres dizer que eu posso ser a solução para este problema que nos afeta?

-   Bem, não tu, algo que existe em ti e que tu tens que encontrar!

-   Uma força?

-   Acho que não, algo maior!

E Mu gritou:

-   Eu posso vencer este rei! Eu sabia que era especial, diferente de todos! Vou encontrar a resposta!

Lu sentiu - se perturbada com as palavras do seu irmão, pois sabia que não era esse o caminho a seguir.

E assim mais voltas deram os braços do relógio, e Mu continuava à procura de algo. Pretendia deparar - se com a resposta na magia, no conhecimento científico, em factos...mas em vão! Nada se revelava, nada acontecia, nada resultava! E se nada fosse verdade? Se tudo fosse uma ilusão? Um sonho imbecil.

Já sem esperança, Mu decidiu acabar com a busca ao irreal.

Mas a sua irmã decidiu falar com ele:

- Mu, olha à tua volta, para este deslumbrante mundo, para esta magnífica Natureza. Percebes que nada é acessório, tudo é preciso e precioso para que este mundo seja tão encantador como é, todas as plantas, todos os animais, tudo! E sabes porquê tudo é assim? Sabes o que existe entre todos os elementos que fazem parte da Natureza?

- Hum, eu li em livros que toda esta beleza da Natureza resulta de leis da Química, Física, ... isto dizem os cientistas. Mas em outros li que é tudo resultado da magia!

- Sim? Mas mesmo assim não encontraste o que querias!

Procuraste mesmo bem?

     - Sim, procurei em tudo! Estou desiludido, desapontado! É tudo mentira!

Ai, olha para fora, que chuva, que trovoada, que tristeza...  

De um cenário escuro, apareceu no céu um arco-íris que brilhou vivo e colorido, ouviu - se o canto alto das aves, as flores sorriram… tudo parece que renasceu, que acordou de um pesadelo tenebroso!

- Olha Lu, que lindo arco-íris!

- “Eureka” Um arco-íris! Um arco-íris! Compreendes?

- Não, não compreendo!

- Ah Mu, surgiu um arco-íris! O que isto significa!

- Um arco-íris resulta da...

- Harmonia! Harmonia! Sabes porquê dois extremos?

- Não...

- Num extremo, está o Homem, no outro a Natureza, e entre eles existe uma “ponte”, que é a harmonia, a ligação entre o Homem e a Natureza. Está é a solução!

- Então queres dizer que temos de viver em harmonia com a Natureza?

- Sim, nunca a prejudicar! Temos de ser boas pessoas, não ser egoístas presunçosos, invejosos… temos de ser felizes e amigos de todos e de tudo!

- Sim, sim! E se todos formos assim e vivermos em harmonia...

E juntos exclamaram:

- Nada nem ninguém nos poderá vencer!

 

(Há pouco tempo recebi uma carta que não sei de onde vinha, pois não estava identificada! No envelope estava desenhado um lindo arco-íris e no seu interior, esta história que vos conto hoje).

Anna Shevchenko, 8.º Ano, Turma E, Escola Básica e Secundária de Anadia - Agrupamento Escolas Anadia

 

 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Sonhos do tamanho do mundo

Era uma vez uma menina com sonhos do tamanho do mundo. Sonhava torná-lo um lugar cor de rosa, tal como eram todos aqueles lugares dos contos com finais felizes que ela lia. Esses contos falavam do mundo como sendo um lugar seguro, sem pessoas más, sem guerras, sem tristeza, sem um fim. Havia sempre um príncipe encantado em busca da sua princesa e, uma vez que a encontrava, casavam e viviam felizes para sempre.

À medida que essa menina foi crescendo, foi percebendo que na realidade as coisas não eram assim tão simples. Consigo cresceram também as suas inseguranças, aquelas malditas que a fizeram construir um grande muro à sua volta, para que ninguém lá conseguisse entrar. Para construir esse muro, inspirou-se num dos seus contos preferidos. Com um final feliz, claro! Pensou que se tivesse essa proteção, então nenhuma bruxa má a iria magoar. A verdade é que o inevitável aconteceu (a menina não podia viver isolada, era necessário contactar com quem vivia à sua volta...) e essa bruxa má apareceu e trepou o muro. Ao trepar o muro, a bruxa complicou imenso a vida da menina e causou-lhe imensa dor e sofrimento. Crescer era muito mais difícil do que alguma pensara! Não havia outro remédio e a bruxa não iria levar a melhor! A menina percebeu que o melhor a fazer era pegar nesses sentimentos e transformá-los em algo positivo, em força, coragem e perseverança. E assim fez.

Encontrou nos seus amigos e na sua família os pilares fundamentais da sua vida. Expressava-se e demonstrava livremente os seus sentimentos. Aquela menina indefesa e insegura tornara-se agora num poço de energia e alegria, necessitava do sorriso e do conforto que um simples abraço confere para ser feliz.

Um dia, um vírus atingiu o seu país e as pessoas foram obrigadas a estar em isolamento social, ou seja, tinham que cumprir quarentena e não podiam sair de casa. A rapariga estava a debater-se com tempos extremamente difíceis, pois uma vez que era agora uma pessoa extremamente comunicativa e necessitava dos abraços, via-se impedida de conviver. Sentia-se vazia e era difícil fingir sorrisos, tinha imensas saudades dos seus amigos e de todas aquelas pessoas que no dia a dia lhe pareciam “insignificantes”, mas que, sabia agora, eram tão importantes! Acima de tudo, sentia falta da sua família que, apesar de pequena, era grande aos seus olhos.

Nos livros, encontrou o escape ideal. Ao lê-los, sentia que podia ser tudo aquilo que quisesse e que podia pintar o mundo das mais variadas cores. A leitura conferia-lhe uma espécie de super-poderes que a faziam sentir-se como nunca antes se sentira. Os livros eram a sua companhia. Com eles podia rir, chorar, abraçar, conversar... O isolamento passou a ser menos penoso e o seu local de eleição era o cadeirão que estava na sala, ao lado da estante. Era lá que a podiam encontrar, era aí que empreendia grandes viagens e conhecia lugares e pessoas extraordinárias...

Como tudo na vida, este período mostrou-lhe uma perspetiva diferente daquilo que somos e da importância de cada um. Passou a dar mais valor a pequenos detalhes e não simplesmente aos bens materiais. Percebeu que o importante no conto que é a nossa vida, não é termos um príncipe encantado à nossa espera nem uma valiosa fortuna que podemos desperdiçar. O importante é aproveitar e fazer o máximo em cada segundo sendo nós próprios, autênticos, porque é isso que nos diferencia uns dos outros e que faz a vida perfeitamente imperfeita.

Apesar de saber que não existem contos perfeitos, com finais felizes garantidos, esta menina continua a sonhar. ´

À leitura, que a continua a acompanhar, juntou outro prazer recentemente descoberto. É que se a leitura nos transforma e faz melhores, a escrita tem outro poder: é a arma mais pacífica que podemos usar e ajuda igualmente a manter firme a esperança de que vai correr tudo bem.

   Era uma vez uma menina com sonhos do tamanho do mundo...   

Constança Almeida ,10.º ano, EBSA