Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Coordenação: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

Endereço de correio eletrónico - cj.eb23anadia@gmail.com

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Oficina de Escrita Ativa Oferta Complementar

Na Escola Básica nº 2 de Anadia, os alunos do oitavo ano frequentam, em sistema de desdobramento, a Oficina de Escrita Ativa, inserida na Oferta Complementar que o Agrupamento decidiu implementar, tendo por base vários objetivos, entre os quais promover o gosto pela escrita assim como, desenvolver, aperfeiçoar e enriquecer a expressão escrita. Muitos dos trabalhos serão divulgados no nosso blogue.
A primeira atividade posta em prática foi levar os alunos das turmas E e F a refletirem sobre a importância do ato de escrever. E são essas reflexões que vos iremos dar a conhecer. Amanhã, iniciaremos a divulgação dos mesmos, com a apresentação do trabalho realizado por um grupo de alunos da turma E.

Sara Castela, O Ciclista/Professora Português/OC – OEA

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Violência doméstica

Caros leitores, hoje venho contar-vos uma história, uma história triste, muito triste! E terá esta história um final feliz?! O melhor é que leiam com muita atenção o que acabei de escrever.
  Francisca era uma criança de tenra idade e naquela idade, tudo o que ela devia querer era estar a correr e a saltitar por um jardim cheio de margaridas bem cheirosas, como se tivesse molas nos pés. Mas Francisca, ao contrário de todas as pequenas criancinhas do seu tamanho, crescera rápido de mais, uma vez que em sua pequena casa a felicidade, sem dúvida alguma, não era a palavra de ordem! A menina vivia numa casa pequenina com um grande quintal. Vista de fora, a casa branquinha como a neve transmitia carinho, mas tal situação não se verificava.
Mais um dia passara e Francisca, nesse dia, chegou a casa estafada, carregada com a sua grande mochila cor de rosa. Entretanto, ao abrir a porta de casa, já conseguia sentir o cheiro do medo e da tensão. Ao entrar, ouvia gritos por todo o lado, mas ela não se alarmou, visto que aquilo era o prato do dia lá em casa. “Espero é que as coisas não piorem” – pensou a pequena assustada.
Na verdade, todos os dias o pai gritava com a mãe e era um dia de muita sorte se ele não lhe batesse de forma muito violenta, por vezes até por coisas insignificantes e sem cabimento nenhum. Toda a gente na aldeia sabia como era a vida naquela pequena casinha que parecia tão amorosa, mas ninguém denunciava o que se passava no seu interior, talvez com medo, não sei ….
Mas a nova heroína da aldeia, ou pelo menos daquela família, estava prestes a chegar.
Eis, então, que num dia solarengo chegou à pequena aldeia de Solária uma mocinha vinda da cidade mais próxima. Corria pelo povo que era artista. Por outro lado, era conhecida também pela sua generosidade, pelo seu sentimento de justiça e amor ao próximo.


Passados uns dias da sua chegada à aldeia, Anita, a rapariguinha da cidade, foi dar uma volta pelo local, sendo interrompida a sua caminhada por uns sons que pareciam gritos. Anita, conhecida pela sua coragem, correu atrás daqueles ruídos assustadores.
   O som vinha da casa de Francisca. Mais uma vez, o pai da pequenina estava a agredir a mãe violentamente. Ao ver aquilo, Anita, tirou a mãe da criança daquela casa, e levou-a à esquadra mais próxima, para apresentar queixa do sucedido. Os polícias foram muito prestáveis e foram logo à aldeia para deter aquele homem cruel e violento. Depois disto, a mãe da jovem convidou Anita para viver em sua casa com a sua pequenita em forma de agradecimento. A partir desse momento, Francisca podia suspirar de alívio. Afinal, a casinha branca e pequenina ia finalmente fazer jus à sua aparência.
   E tu, estás à espera de quê?
  Se conheces algum caso de violência doméstica, fala com um adulto e denuncia-o o mais rápido possível. E desta vez, podes ser TU o herói!

Margarida Carlota Lagoa, O Ciclista



Nota: O Ciclista celebra, assim, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência sobre a Mulher, dia 25 de novembro.

         Imagens retiradas da Internet.

domingo, 24 de novembro de 2013

Ação de sensibilização - Prevenção da Toxicodependência

Realizou-se no passado dia 18, a ação de sensibilização subordinada ao tema “Prevenção da Toxicodependência”, destinada a todos os alunos dos 9º e 10º anos. Esta ação foi promovida pelos Serviços de Psicologia e Orientação da Escola e pelo Centro de Atendimento de Toxicodependentes de Aveiro (CAT).
O objetivo principal foi o de promover a consciencialização dos jovens sobre os malefícios decorrentes da toxicodependência no sentido de prevenir consumos e sensibilizar para a importância da recuperação e tratamento nos casos de dependência.
A Dra. Ema Conde, ex. aluna da nossa escola e atualmente médica psiquiatra a exercer funções no CAT de Aveiro, explicou-nos de um modo muito simples os problemas da toxicodependência.
Mostrou-nos, entre outros muitos outros aspetos, as fases de aquisição, desde a experimentação até ao consumo contínuo ou compulsivo, que é a fase de dependência, passando pelo consumo episódico ou ocasional e depois regular.
Só foi lamentável o comportamento inadequado de alguns alunos.
Sem dúvida que o melhor mesmo é evitar experimentar!
Por isso, deixamos um conselho: afasta-te das drogas!


Adriana Matos e Sofia Pedrosa, O Ciclista

sábado, 23 de novembro de 2013

Aquilo a que chamam “mar”

Para todos, o mar é bonito,
Apenas gostam de vê-lo,
Mas não o entendem,
Não conseguem senti-lo.

E quando as ondas batem na areia,
Todos dão volta e meia,
Sem pensar no que sucedeu,
Quando aquela onda morreu.
E eu fico espantada a olhar,
Mirando as pessoas que se começam a afastar.
Não querendo saber o que irá acontecer,
Depois daquela onda falecer,
Nova ondas irão rebentar,
Vindas daquilo a que chamamos “Mar”.
Do seu clube de fãs, sou o 1º membro,
Porque gosto dele desde que me lembro.
Por fora é bonito, por dentro é fabuloso,
Pode ser calmo e gentil, ou mau e buliçoso.
Classificam-no com bandeiras,
Criticando as suas maneiras.
Porém não interessa como ele está humorado,
Porque ele está sempre ali ao lado.
É aquele amigo sempre presente,
Que comparado connosco, é um pouco diferente.
Mas que nos melhora a auto-estima,
Fazendo-nos escrever poemas ou uma rima…

Ana Neta, O Ciclista

Nota: O Ciclista apresenta este poema, embora com algum atraso, com o fim de celebrar o Dia Nacional do Mar, dia 16 de novembro.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A televisão

O Miguel era, em tempos passados, uma pessoa extremamente saudável, cuja alimentação equilibrada e a prática de exercício físico eram permanentes na sua vida. Na verdade, todos os dias de manhã, aproveitava os primeiros raios de sol para caminhar em torno do grande lago situado próximo da sua casa. Em seguida, dirigia-se para a sua residência, onde tomava um pequeno-almoço reforçado, preparado pelas mãos habilidosas da sua mãe, nunca se esquecendo da peça de fruta a caminho da escola.
            Depois das aulas e após o regresso a casa, o jovem preparava-se para o seu treino de basquetebol, que praticava três vezes por semana. Todos os dias passava pela sua televisão que nem a cores nem a preto e branco funcionava, pois estava avariada. Este menino, porém, nunca tinha dado atenção àquele objeto nem tinha muita curiosidade em visionar os programas que daí provinham. No entanto, na escola, os colegas começavam a comentar os programas que passavam todos os dias no televisor, pelo que levou o Miguel a desintegrar-se, uma vez que o seu aparelho televisivo estava avariado.
Entretanto, foi aí que nasceu uma enorme vontade de ter televisão! O senhor Alcindo - pai do Miguel - a pedido do filho decidiu, então, concertá-la. A partir daí,
o Miguel começou a ver muita televisão, aliás demasiada televisão! De facto, o jovem conseguiu assim integrar-se no grupo daqueles que só falavam dos programas televisivos que diariamente acompanhavam, porém foi-se esquecendo dos seus bons hábitos, na medida em que deixou de ir aos treinos de basquetebol. Por outro lado, começou a ingerir demasiados doces, o que passou a ser uma tentação, pois ele adorava fazê-lo enquanto estava sentado e via apenas televisão.
O pré-adolescente não se apercebia assim da situação, até que um dia o seu grupo de amigos o convidou para dar um passeio pelas margens do lago. Sim! Aquele que ele fazia em poucos minutos antes de tomar o pequeno-almoço. Todavia, naquele dia, o Miguel a muito custo terminou o passeio. Encharcado então em suor, chegou a casa e antes de tomar um duche, só por curiosidade, pesou-se. Só nesse preciso momento é que percebeu o gigantesco erro que cometera.
Sendo assim, a partir daquela tarde, o Miguel começou a sua tentativa de recuperar os seus bons hábitos. E, na verdade, a força deste jovem em querer tornar-se uma pessoa saudável era muito grande. E provavelmente foi essa a chave que o levou a consegui-lo. Apesar de tudo, o filho do senhor Alcindo continuava a ver televisão, mas agora de forma moderada, não tendo efeitos negativos na sua vida.
Com tudo isto, o Miguel aprendeu que o visionamento em excesso de televisão não é nem será, de maneira nenhuma, favorável para a sua saúde. Contudo, chegou à conclusão de que o visionamento moderado pode proporcionar, para além de uns excelentes momentos de entretenimento, momentos importantes de aprendizagem.

João Pedro Rocha, O Ciclista


Nota: O Ciclista celebra, deste modo, o Dia Mundial da Televisão, dia 21 de novembro.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Nadezhda

A Nadezhda, uma jovem russa, desde que chegou à escola, tornou-se indiferente para muitos colegas, mas para outros não e eu bem vi o sorriso que estava espelhado nos seus rostos. É que ela tinha uns belos olhos azuis e uns longos cabelos loiros e, claro, isso atrai logo a atenção dos rapazes. Quanto a mim? Eu adoro fazer novas amizades e por isso, tentei aproximar-me dela, porém a diferença linguística não nos permitiu de início comunicar.
Eu, a minha irmã e mais três amigas, como sempre fomos e somos persistentes, usámos todos os meios que tínhamos ao nosso alcance para dialogar com ela e aos poucos, fazendo gestos, dizendo palavras simples e apontando objetos e pessoas, lá fomos comunicando. Tivemos também o precioso apoio por parte de Aniya, colega que está em Portugal desde o 1º ciclo e que lá nos ia servindo de intermediária e assim, conseguimos ir comunicando com a Nadezhda.
Por outro lado, ajudava em muito o apoio que estava a ser prestado pela Dra. Maria Pires, professora de Português, que lhe estava a dar um acompanhamento muito grande na nossa língua.
A Nadezhda sempre nos pareceu uma adolescente alegre, embora no seu olhar houvesse algo de turvo. Bem que a questionávamos, mas ela dizia “serem saudades de meu país!”.
Claro, como não sentiria saudades do seu país?! Ela fora arrancada às suas origens, à sua cultura, às suas tradições, à sua família, muito embora tenha vindo com os seus pais e irmã. Mas os avós, primos, tios e até os amigos tinham ficado nesse país distante.
O nosso papel, enquanto novos amigos dela, era por isso muito importante! Tínhamos mais do que acolhê-la bem, como fazemos a qualquer novo colega. A ela pretendemos ensinar-lhe tudo sobre a nossa cultura e ensinar a gostar dela. Não é fazer com que ela esqueça a dela. Isso nunca! Mas fazê-la ver que somos um povo acolhedor, simpático e com quem ela pode contar.
Fazê-la ter esperança, como nos disse que significa o seu próprio nome, que o futuro lhe venha a sorrir. Para isso, estamos cá nós. Esse é o significado da amizade!
Lembrámos assim, apesar de já estarmos a deixar de ser crianças, um dos seus direitos internacionais e fundamentais das crianças e que, por acaso, é o último: “Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar as suas energias e aptidões ao serviço dos seus semelhantes.”.

Sofia Pedrosa, O Ciclista


Nota: O Ciclista celebra, deste modo, o Dia dos Direitos Internacionais da Criança, dia 20 de novembro.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Campanha solidariedade - Vamos ajudar a Ritinha

Hoje é véspera do Dia dos Direitos Internacionais da Criança, criado pela UNICEF. Que melhor dia poderia ser escolhido para apelar à solidariedade de todos quantos leem o nosso blogue. Decerto que haveria outros… Mas, vamos apresentar-vos o caso de uma pequena criança de tenra idade que precisa de todos nós: a Ritinha!
A Ritinha tem cerca de 1 ano e meio. Com apenas 3 meses de idade foi-lhe diagnosticado lisencefalia, microcefalia, entre outras coisas! Esta doença não lhe permite sentar, segurar a cabeça, pôr-se em pé, falar, entre outras coisas.
De maneira a possibilitar-lhe um conforto e uma qualidade de vida melhor é necessária a aquisição de equipamentos indicados às suas necessidades. Contudo, para conseguir adquirir esses equipamentos que são muito caros é necessária a ajuda de todos. Para isso, basta contribuir nas campanhas de plástico, tampinhas, papel.
Poderá fazer a entrega destes na nossa escola: Escola Básica nº 2 de Anadia (junto à Estrada Nacional).
Para mais informações consulte:
Vamos ajudar esta menina, vamos ajudar a Ritinha a ter uma vida melhor!


Graça Matos, O Ciclista

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Menção honrosa ganha por duas Jornalistas d’O Ciclista, do Agrupamento de Escolas de Anadia, Adriana e Sofia, em concurso nacional


Na passada sexta-feira, 15 de novembro, realizou-se a cerimónia da entrega dos prémios do Concurso Nacional de Poesia e/ou Conto Contra o Racismo instituído pela Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI, I.P.), Instituto Público integrado na Presidência do Conselho de Ministros. Esta decorreu no Cinema S. Jorge em Lisboa, pelas 16h00.
Os vencedores de cada uma das categorias e as menções honrosas foram divulgados ao longo da cerimónia, conduzida pela jornalista Conceição Queiroz e contou com alguns momentos de animação teatral.
A Senhora Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Dra. Rosário Farmhouse salientou, no início da cerimónia, que foram recebidas mais de 500 participações para as três categorias (Categoria I - Participantes entre os 10 anos e 13 anos; Categoria II - Participantes entre os 14 e 17 anos; Categoria III - Participantes maiores de 18 anos) e no âmbito deste Concurso Nacional de Poesia e Conto Contra o Racismo, e que o Júri do Concurso teve muita dificuldade em selecionar os vencedores destas três categorias postas a concurso, bem como as menções honrosas atribuídas.
Este concurso teve por finalidade eleger poemas e/ou contos que promovessem a interculturalidade e o combate ao racismo, com vista à edição em livro a ser publicado pelo ACIDI, I.P..
O Ciclista tem o imenso prazer de informar que duas das suas jornalistas e alunas do Agrupamento concorreram a este Concurso de Poesia/Conto contra o Racismo promovido pela ACIDI/CICDR. Para além de terem sido finalistas do concurso obtiveram uma das menções honrosas atribuídas na Categoria II.
O Ciclista quer publicamente dar os parabéns à Adriana de Matos Pedrosa e à, sua irmã, Sofia de Matos Pedrosa pelo texto, intitulado “Plúmbeo”, que obteve tão honrosa distinção. Não queremos deixar de mencionar e felicitar a então professora de Português destas alunas, Dra. Sara Diana Castela, que corrigiu o texto e é também membro do nosso Clube.
Em conversa com as duas jovens, estas explicaram ao Ciclista que se envolveram na redação do seu conto e que essa envolvência teve a ver com o facto de verem no seu dia-a-dia não tanto situações que se prendem com o racismo, mas com a discriminação, não feita de um modo aberto, mas muitas vezes de uma forma velada: - “às vezes parecia que estávamos a viver a história…”. Não quiseram deixar de expressar o seu carinho para com a sua antiga professora, Dra. Sara Castela, que lhes indicou o concurso e as incentivou a concorrer. Lamentaram, no entanto, que esta não tivesse estado presente na cerimónia. Contaram que ao longo da redação do texto foi necessário recorrerem não apenas à sua imaginação e criatividade mas também a factos históricos e das culturas portuguesa, particularmente local, e angolana. Daí o recurso à Biblioteca Municipal, onde a colaboração da Dra. Sónia Almeida foi essencial e a quem agradecem imenso. Finalmente dedicam um carinho muito especial aos pais que sempre as motivaram na escrita e na leitura. Dedicam esta menção honrosa ao seu avô Custódio Matos.
Quanto à publicação do texto das duas alunas … pedimos desculpa mas não nos é permitido. Contudo deixamos uns pequenos excertos apenas para aguçar o apetite:

A primeira vez que o vi, fixei aqueles olhos plúmbeos que me fascinaram e irresistivelmente deixei-me embebecer por aquela doçura e carinho que eles me transmitiam. Aquela cor de olhos não era a cor que esperava encontrar naquele tom de pele, mas casava bem. (…)
O silêncio cortante rasgava o meu íntimo. Nesse instante, não sabia o que mais me afetava, se o ruído agressivo das palavras que sempre ouvira quando estava diariamente na escola, se hoje que me encontrava encolhido no vazio daquele lugar que me parecia escuro onde abandonado me encolhia temendo pela minha vida decerto presa por um fio…
Aquele silêncio ensurdecedor ecoava nos meus ouvidos e eu só pedia de volta as censuras veladas (…)
Aqueles olhares queimavam a minha pele já negra de si. E eu, que dali era nativo, parecia ser o alienígena… (…).



Graça Matos, O Ciclista




domingo, 17 de novembro de 2013

Vencendo o tabaco!

Esta é a história de um episódio ocorrido nos Jogos Desportivos Interturmas da Escola Secundária de Vale das Flores.
Para espanto de todos, e em especial da Nina, o Vitó perdeu a prova de Atletismo dos 1500 metros. Toda a gente esperava que ele ganhasse, como sempre. A Nina, por sua vez, preocupada com o seu colega, não resistiu e foi ter com ele. Encontrou-o de mau humor e com a respiração ofegante, a cara vermelha, lábios escuros e um tossir seco. Porém, como boa amiga, disse-lhe:
- Vitó, sou eu. O que é que tens? Pareces estar mal… Precisas de alguma coisa?
Ele vociferou raivoso:
- Deixa-me em paz. Já fui suficientemente humilhado, ouviste?!
Nina não se conteve:
-Ó meu, qual é a tua? Não percebes que estou contigo, para te apoiar? Quero lá saber o que os outros possam pensar…
Enquanto a ouvia, o Vitó acendeu um cigarro e começou a aspirar o fumo desesperadamente. Ela passou-se…
-Ah! Tu agora fumas?!
-Fumo! Porquê, não posso? Tu não és minha Mãe…
- Não sou tua Mãe, mas sou tua amiga e gosto muito de ti! Por isso desejo-te o melhor! Será que esse tabaco é o responsável por teres perdido a corrida? Se quiseres, vou contigo ao teu médico e não digo nada a ninguém.
-Nina, desculpa lá a minha fúria, tu não tens culpa nenhuma. Eu comecei a fumar, às escondidas, há cerca de um ano. Agora já estou habituado e não consigo deixar isto.
 - Fumas muito?
- Quase um maço por dia, às vezes apetece-me fumar mais, mas não tenho dinheiro que chegue. Mas isso de ir ao médico é para quê?
- É para ver se tens algum problema. Não te lembras de que há atletas que morrem subitamente? Vá, anda lá comigo. Não custa nada!
Passados uns dias, lá estavam eles, à hora marcada no Centro de Saúde. O médico ouviu as queixas, auscultou-o e examinou-o e confirmou que era provável a relação entre o tabaco e aqueles sintomas. Sendo assim, fez um plano de estudo e vigilância, mas aconselhou o Vitó a deixar de fumar.
- Doutor, afinal como é que eu posso deixar de fumar?
- Tu queres mesmo?
 - Tem de ser. Não estou disposto a passar por outra vergonha, perante toda a gente.
- Então, a primeira coisa que tens de fazer é tomar uma decisão firme. Tomando a decisão, tens de te ver livre o mais depressa possível da droga que há no tabaco, que é a nicotina. É ela que te prende ao tabaco. Tens de fazer uma boa desintoxicação…
 - Senhor Doutor, - interrompeu a Nina – está a querer dizer que o Vitó está dependente da nicotina?
- Sim, agora a única forma de vencer é repetir a decisão a cada instante e libertar-se dos depósitos e resíduos de nicotina- esclareceu o médico.
 - Quanto tempo é que isso dura, doutor? – indagou o Vitó.
A resposta do médico foi clara:
 - Depende das pessoas mas, principalmente, depende da forma como cumpres o plano de desintoxicação. Não é difícil, mas é muito importante. Vá, se quiseres, toma nota: tens de beber muita água, cerca de 2 litros por dia, fora das refeições. Isso vai aumentar a eliminação da nicotina. Acompanha com bastante atividade física, de modo a transpirares bastante, pois estarás assim a eliminar nicotina pela pele. Depois toma um bom banho, para assim ajudar a tua circulação a recuperar da preguiça causada pela nicotina.
Prontamente, o Vitó interrogou:
 - Ó Doutor, então se eu agora não aguentei os 1500 metros, acha que vou passar por mais vergonhas?
Pacientemente e firmemente, o médico explicou:
- Vitó, a competição nem sempre é a forma mais saudável de fazer atividade física. Podes correr, andar de bicicleta ou caminhar a pé…
Outra dica importante é a respiração, já que, ao deitar fora o ar, também se pode eliminar alguma nicotina, pelo que será útil se fizeres todos os dias alguns exercícios respiratórios, com inspirações profundas, seguidas de expirações totais. Isto também te dará mais oxigénio, que o tabaco te tem roubado desde que começaste a fumar.
Sempre muito atenta, a Nina interrompeu:
- Ele pode comer de tudo?
A resposta não se faz tardar:
- Para facilitar a desintoxicação da nicotina é recomendável um regime muito simples, à base de saladas cruas, pão e fruta, evitando a carne e o peixe, bem como as refeições muito pesadas.
 - E por quanto tempo? – questionou o Vitó.
- Se cumprires isto muito bem, chegam cinco dias a uma semana.
 - Assim está bem – respondeu o Vitó. - Nunca pensei: água, exercício físico, exercícios respiratórios e comida simples! Parece-me fácil. Vou tentar.
Satisfeito com a decisão, o médico lembrou:
- O que eu te disse é muito importante e está cientificamente provado. Aliás, faz parte de um famoso método para deixar de fumar, chamado “Plano de Cinco Dias Para Deixar de Fumar”. Mas não te esqueças: toma a tua decisão, repete-a sempre e não voltes a acender nem mais um cigarro! Se tiveres problemas, telefona-me ou vem ter comigo.
- Muito obrigado, Doutor! Ainda bem que fiz a vontade à Nina e vim até cá.
Despedindo-se do médico, saíram os dois e não resistiram a um abraço de grande amizade, que marcou uma nova etapa na vida de Vitó, que lhe devolveu a capacidade física, o respeito dos outros e o respeito por si próprio.
O Vitó venceu e tu também podes vencer!

Sofia Ferreira, O Ciclista



Nota: O Ciclista celebra, assim, o Dia Mundial do Não Fumador / Dia Nacional do Não Fumador, dia 17 de novembro.

sábado, 16 de novembro de 2013

Dia Nacional do Mar

Já no largo Oceano navegavam
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteu são cortadas1

[…]
Assim fomos abrindo aqueles mares,
Que gèração algũa não abriu,
As novas Ilhas vendo e os novos ares
Que o generoso Henrique descobriu.2

 […].

Luís de Camões, Os Lusíadas

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os gestos da vida

Lucas era uma criança muito solitária que toda a vida sofrera por não ter alguém para partilhar todas as suas emoções. Este tinha sido adotado com apenas um ano de idade por um casal muito simples que desejava profundamente ter um filho.
Um dia João e Raquel chegaram com a notícia de que iria existir mais uma criança em casa. Lucas ficou radiante de felicidade.
No dia seguinte partiram para o orfanato para verem a criança com quem Lucas iria partilhar tudo. O orfanato tinha um aspeto muito acolhedor, as crianças estavam sorridentes, ouvia-se pelo ar uma música a esvoaçar, mas, no meio de tanta alegria pairava um ponto de tristeza. Uma criança estava no canto do pátio sozinha a olhar para uma flor. Quando a diretora se aproximou do casal informou-os que aquela criança seria o seu novo filho e que este era mudo comunicando por linguagem gestual. O casal ficou apreensivo mas Lucas apressou-se a dizer que aceitavam a criança de todo o coração.
Lucas começou, então, a ir ao orfanato todos os dias depois da escola para visitar o seu novo irmão. Aos poucos começou a aprender a comunicar com Matias e este foi ficando cada vez mais solto e confiante.
            Ao fim de dois meses, Matias já se encontrava na nova casa e Lucas estava mais feliz que nunca. Lucas sabia que, apesar de ter de comunicar com o novo irmão de uma maneira diferente e bastante única, tinha uma companhia com quem podia partilhar o que até ali lhe pertencia. Na verdade, aqueles gestos eram o início de uma nova vida.

Margarida Costa Pereira, O Ciclista


Nota: O Ciclista celebra deste modo o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Manifestação Pais e Alunos – Escola Básica e Secundária de Anadia

O sucesso da manifestação organizada pela Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Anadia foi incontestável. Estiveram presentes os mais prestigiados órgãos da comunicação social, incluindo como seria de esperar o Clube de Jornalismo do Agrupamento, O Ciclista.
Apesar de termos sido brindados com cadeados colocados em todos os portões, que impediam o acesso à escola, foi de louvar toda a dinâmica que envolveu a manifestação, particularmente o civismo e a forma ordeira como a mesma decorreu. De salientar que os cadeados foram imediatamente retirados e esta ação decorreu pacificamente, como já era previsível.
O Ciclista dialogou com alguns dos principais intervenientes e com alguns dos muitos alunos e pais anónimos que decidiram associar-se a este manifesto que teve como objetivo mostrar o estado de degradação das instalações e insegurança preocupantes em que se encontra a Escola Secundária e a necessidade premente de continuar a construção da escola nova já iniciada, em março de 2010 e suspensa um ano depois. Com um investimento até ao momento de cerca de 4 milhões de euros e com os cerca de 12 milhões previstos para a sua conclusão, a Associação de Pais e a Associação de Alunos, que se associou ao protesto, aguardam que os governantes oiçam o apelo desesperado que hoje aqui está a ser feito e “deitem mão à obra!”.
A primeira entrevistada foi, como não poderia deixar de ser, a Presidente da
Associação de Pais (PAP), Dra. Patrícia Flores.
A Dra. Patrícia começou por salientar que o protesto tem como principal objetivo a falta de condições na Escola Secundária. Assim como a própria e muitíssimo importante segurança das crianças.
Ao ser confrontada com o facto de não haver referência à Escola Básica nº 2, uma vez que esta também deixou de ser intervencionada, por causa da construção da nova escola e que também nela há sérios problemas, nomeadamente de infiltrações, a Presidente explicou que na Assembleia Geral, reunida a 4 de Outubro, os pais presentes debateram toda a situação e consideraram que ao focarem o problema na Secundária não significava que se tivessem esquecido da EB23, pois o objetivo não se esgota aqui!
Referiu que têm muitas outras situações por resolver e que infelizmente a adesão dos pais é muito insignificante, o que lamentam. Apelam portanto, ao seu contributo, pois a sua participação é sem quaisquer dúvidas uma mais-valia.
Em diálogo com o Presidente da Direção da Associação de Estudantes, Miguel Fernandes, aluno do 12º A, este referiu que a adesão total dos alunos expressa bem o sentir e a consciência que têm do estado em que se encontra a escola. A Associação dos Estudantes decidiu apoiar o manifesto da Associação de Pais por o considerar válido e como um meio de chegar à continuação da construção da escola nova. Muitos dos alunos da atual associação, segundo o Miguel, talvez já não venham a usufruir da escola nova. Mas, isso não é importante. O importante é sentir que esta ação valeu a pena, para que os colegas possam usufruir de melhores condições para realizar um trabalho mais digno. Quanto aos cadeados inicialmente colocados nos portões, considera-se indignado, em nome próprio e de toda a Associação, acrescentado que como se pode ver não eram necessários, pois todos os portões estão abertos desde o início das aulas (8h30m) e nenhum aluno entrou na escola!
O Ciclista quis escutar as sempre sábias palavras das mães e, muito embora não quisessem “dar a cara”, deram-nos o seu parecer.
A primeira mãe a dialogar connosco mostra grande preocupação perante o estado de degradação não apenas da Escola Secundária, mas também da Escola Básica nº 2 de Anadia. Segundo a mesma é urgente continuar a construção da escola nova que irá substituir estas duas escolas. Na sua opinião teme-se por acidentes que possam pôr em risco vidas humanas, o que se pretende evitar a todo o custo e é isso o que se deseja com esta manifestação.
Ainda segundo esta mãe, e passo a citar “toda a Comunidade Educativa merece condições dignas e facilitadoras do processo de ensino-aprendizagem”.
A segunda mãe fez questão de nos dizer que tem filhos a frequentar as duas escolas e que não compreende o porquê da manifestação se cingir apenas à Secundária. Explica-nos que compreende o elevado estado de degradação da secundária, em muito superior à B23. Realmente é incompreensível como os alunos e os professores podem “viver”, pois segundo esta mãe, pode falar-se assim, uma vez que passam cerca de 9 horas diárias num local sem quaisquer condições de habitabilidade… sem qualidade de vida. O que viu na televisão é muito mais grave do que as palavras do filho e dos amigos. - “Contado é uma coisa, visto é outra! É doentio!”
Na EB23 diz que já tinha apreciado baldes colocados estrategicamente a aparar as goteiras que caem no polivalente e em salas de aula, aquando da entrega das avaliações. Tinha olhado para os telheiros e visto as grandes falhas existentes, e visto os bancos do exterior todos partidos. Os filhos falaram-lhe do ginásio e do frio do inverno, e de outros problemas. Mas, segundo esta mãe, são realmente os problemas da secundária que superam todos estes. 
Considerou muito interessante e de bom tom, que alguns docentes da EB23 tivessem cedido ao pedido das suas turmas e se juntassem com elas ao protesto, pois esta escola também se encontra bastante degradada, apesar de num estado menos preocupante. 
Para finalizar acrescentou considerar que existem fatores de suma importância no sucesso escolar dos alunos. Destacou o próprio aluno, o ambiente familiar, o professor, a turma onde este se insere e a Escola. Ora, como a mesma refere, se a Escola não tem as condições adequadas, como é o caso, esse é desde logo um fator de comprometimento do sucesso educativo dos alunos. Portanto, considera esta luta por demais justa e oportuna. Pede, portanto, aos nossos governantes que olhem bem para o estado destas escolas, pois um dia destes pode acontecer uma desgraça e, como refere “não é depois da casa roubada que se colocam as trancas à porta”, acrescenta dizendo que “fica mais barato prevenir que tratar”.
Em diálogo com um dos elementos da Escola Segura este referiu que estava tudo a correr bem.
O Miguel Galante, aluno do 10º H, salientou ao Ciclista que a adesão total dos alunos foi um estrondoso sucesso. Aludiu ao facto de mesmo estando os portões completamente abertos e tivesse sido dada completa liberdade aos alunos para entrarem na escola para irem às aulas, nenhum aluno entrou. Como se viu todos os alunos demonstraram uma consciência face à gravidade em que se encontram os dois edifícios que constituem a Escola Secundária, o que veio dar razão ao protesto da Associação de Pais. Lembrou, ainda a Escola Básica que também se encontra bastante degradada, apesar de num estado menos preocupante.
O Sr. Diretor, Professor Elói Gomes, dialogou com O Ciclista começando por referir o caráter muito cívico e pacífico em que decorreu toda a ação. Aludiu ao facto de todos terem estado à altura da situação, pois pais e alunos aliaram-se e, desde o primeiro instante desta manifestação mantiveram sempre uma conjugação perfeita.
Quanto à organização de todo o processo, nomeadamente da ida da comunicação social à escola ou da própria manifestação, nada tem a ver consigo, tudo esteve a cargo da Associação de Pais. Na qualidade de Diretor nunca dificultou a entrada da comunicação social, embora a parte que envolveu a sua entrada na Escola tenha sido devidamente ponderada e previamente tenha consultado os órgãos superiores do Ministério da Educação e a resposta dada fosse sempre que a decisão era do Diretor.
O Diretor realça o papel de relevo da Associação de Estudantes nesta ação, pois a partir do momento em que esta decidiu juntar-se ao manifesto, envidou todos os esforços junto dos alunos no sentido de haver uma envolvência ordeira e pacífica, o que veio a acontecer como se pôde constatar.
A existência de cadeados, segundo o diretor, não foi bem vista por nenhuma das associações, desconhecendo-se o autor do feito. Contudo, de imediato ele contactara o Presidente da Junta de freguesia e o serralheiro enviado resolveu prontamente a situação. O Sr. Diretor salientou, conforme a maioria dos anteriores entrevistados já o fizera, que como foi bem visível os alunos mostraram que não era nenhum cadeado que os impedia de entrarem na Escola, porque todos os portões estavam abertos e nenhum aluno entrou. Voltando a realçar o aspeto pacífico com que toda a ação decorreu, estando portanto todos de parabéns pelo facto.
O Ciclista agradece a todos que, muito gentilmente, colaboraram e tornaram possível esta reportagem.


Graça Matos, O Ciclista

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Uma promessa quebrada

Era uma vez um casal de namorados muito felizes, a Rita e o André.
A Rita tinha o cabelo castanho, longo, com sardas na cara e era baixinha. O André era alto e tinha também o cabelo castanho cor de amêndoa.
Estava tempo de chuva, portanto os dois jovens decidiram ficar por casa e ver um filme. Enquanto viam o filme, a rapariga encostou-se a ele.
- Prometes que nunca me vais deixar, Ritinha? – questionou André, sussurrando-lhe ao ouvido.
- Prometo! – exclamou a Rita, passando a sua mão na cabeça dele.
Passadas duas semanas, André andava realmente muito esquisito, com ar de que se passava algo. Começou, então, a não ir dormir a casa e estava sempre com o telefone desligado. A rapariga ligava-lhe vezes sem conta, mas ele nada.
Certo dia, a Rita estava a tentar ligar-lhe e ele acabou por atender, mas ele estava com outra rapariga a dizer-lhe nesse preciso momento que a amava.
Rita, após ter escutado aquelas palavras que feriram o seu coração, chorava pelos cantos da casa, noites e noites até adormecer. A certa altura, parou e pensou para com ela, como se tivesse o André diante de si: “Perguntaste-me se eu ficava contigo para sempre, querias que eu não quebrasse essa promessa, mas afinal quem quebrou a promessa foste tu, pois eu amei-te e tu não me amaste! Mas como dizem: “não te dão aquilo que queres, não porque não mereças, mas sim porque mereces melhor!” Portanto, a pobre rapariga seguiu em frente e, mais tarde, acabou por encontrar alguém melhor que lhe deu o devido valor.

  

Inês Gouveia, 8º E