Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Coordenação: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

Endereço de correio eletrónico - cj.eb23anadia@gmail.com

domingo, 31 de agosto de 2014

Os jornalistas d’O Ciclista

O Ciclista não dormiu, não teve fins de semana, não foi de férias, …
Todas as histórias que apresentámos ao longo deste ano letivo, escritas pelos jovens jornalistas do nosso clube, foram imaginadas por eles e fizeram-nos recordar muito dos dias que O Ciclista decidiu celebrar! O espírito crítico, a criatividade e a sua imaginação foram explorados numa escrita, que é de uma beleza verdadeiramente extraordinária.
A sua veia jornalística foi posta à prova em várias reportagens e entrevistas onde brilharam e que podem ser apreciadas acedendo a este “jornal digital” / blogue.
Ao longo deste ano letivo foram publicadas muitas notícias e trabalhos realizados por todos nós, como também foram divulgados muitos outros executados por outros alunos do Agrupamento, muitas imagens das atividades e… muito, muito mais!
Foi editado o nosso jornal em papel, uma realidade que há muito não acontecia e que se revestiu de imenso sucesso.
Evidencia-se, ainda a produção de vídeos, como é o caso deste que hoje vos vamos apresentar nesta última edição do nosso jornal digital do ano letivo de 2013/2014. Nele pretendemos dar a conhecer os nossos jovens jornalistas, que constituíram a equipa do Clube de Jornalismo, bem como o seu sentir.
A todos os nossos jornalistas um eterno e terno agradecimento d’O Ciclista.
Termina assim, mais um ano letivo!
O Ciclista agradece e dá os parabéns a todos quantos têm contribuído para manter o Jornal ativo e bem vivo. Mais uma vez recorda o extraordinário prémio nacional que O Ciclista alcançou pelo seu mérito de qualidade e de longevidade. Por isso, está de parabéns!
Para o próximo ano letivo continuaremos o nosso trabalho.
Continue a visitar este nosso “jornal digital”/ blogue!
Graça Matos / Sara Castela, O Ciclista

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O irmão de Carolina - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Estava um dia de sol, quente e abafado. Era o primeiro dia de verão e ela estava ali sentada, à espera que lhe surgissem ideias para escrever um texto para português. Estava a ser difícil começar a escrever e aquele ar abafado, também não ajudava nada.
Foi, então, que Carolina se pôs a pensar naquilo que passara ao longo da sua vida para poder proteger e integrar o seu irmão João na sociedade. Afinal de contas por que é que discriminavam o João? Por ele ter Síndrome de Down? Por acharem que ele não tinha capacidades para fazer algumas coisas sozinho? Mas não era bem assim. É certo que o João tinha as suas limitações por ter aquela doença, mas ele conseguia fazer quase tudo o que uma pessoa dita "normal" faz. Afinal de contas, cada um nasce com mais habilidade para certas coisas do que para outras.
Carolina não gostava que discriminassem as pessoas, fosse lá por que razão fosse e, muito menos, o seu irmão, que ela amava e protegia sempre, independentemente das pessoas que o punham de lado e de o João ser mais velho do que ela. Carolina dizia sempre a todas as pessoas que o seu irmão era igual aos outros e que tinha o mesmo direito de fazer aquilo que os outros também faziam. Gostava tanto que as pessoas respeitassem o seu irmão como a sua turma o fazia... (costumavam dizer que a sua turma aceitava tão bem o seu irmão porque gostavam de a ver feliz e, como sabiam que ela ficava triste por o ver a ser discriminado, respeitavam-no e ajudavam-no naquilo que ele precisava e a Carolina não podia fazer). Fosse como fosse ela estava muito orgulhosa da sua turma, que, para ela, era quase como uma segunda família.
Duas horas já tinham passado e Carolina estava no mesmo sítio, com os seus pensamentos. Se as pessoas soubessem como é difícil ter uma pessoa “diferente” na família! Com certeza que não tratariam os outros como se eles tivessem uma doença contagiosa! Se lhe dessem à escolha um desejo, ela pediria que se tratassem uns aos outros como irmãos, de modo a poderem ajudar o outro naquilo que ele mais precisasse, como também ser ajudado nos momentos mais difíceis, porque, afinal de contas, todos precisamos de amigos que nos façam rir e de um ombro amigo para poder chorar.
Carolina achava que pensava de mais no futuro e acabava por desperdiçar muitas coisas que o presente lhe oferecia. Mas ela era assim, sempre preocupada com os outros, (às vezes até se esquecia de pensar no que era melhor para si), com o futuro (o que seria de si, dos seus irmãos, dos seus colegas,…), com os seus irmãos e com tudo à sua volta. Ela só pensava no futuro em vez de aproveitar o presente! Desde sempre ela tinha tido muitas desavenças com amigos e, principalmente, com uma amiga, que lhe pedia sempre desculpa pelos atos que tinha cometido (o que já era bom), mas que acabava por fazer sempre o mesmo. Era esta a colega com quem Carolina mais se importava e a quem mais ajudava, mas o que essa colega não sabia (pelo menos não dava a entender que sabia) era que as desculpas podem mostrar o respeito que se tem pelo próximo, mas a mágoa de se ser enganada ficava sempre. Por isto, mesmo que lhe apetecesse desistir de ajudar os outros, não o fazia, porque sabia que assim ninguém iria respeitar o irmão e ela tinha que dar o exemplo.
A tarde chegara ao fim e Carolina, agora, já sabia o que ia escrever no seu texto. Era isso, ela ia escrever todas as suas vivências para ajudar o seu irmão. Pensava que, mesmo escrevendo de uma forma pouco correta e pouco explícita, alguém iria ler o seu texto e perceber é necessário compreender o mundo que nos rodeia e ajudar os que mais precisam da nossa ajuda no dia a dia.
Maria Carvalho das Neves, nº 12, 7º Ano, turma A
Género Narrativo – 3º Ciclo
Nota:

Conto produzida na temática da “Saúde”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

De uma ajuda, uma amizade! - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Maria era uma menina que vivia sozinha numa casa que se situava numa montanha. Não tinha família, pelo menos que conhecesse, pois crescera sem ninguém a seu lado à exceção de uma idosa que a início lhe tinha dado auxílio e cuidado dela em pequena, mas que infelizmente já morrera. E como se tinha habituado a fazer tudo sozinha, tinha imensa habilidade, responsabilidade e era bastante empenhada no que quer que estivesse a fazer. Também tinha dinheiro, pois todas as semanas ia tomar conta das crianças de algumas vizinhas, para poder comer e comprar os seus necessários.
Certo dia, estava um tempo muito gélido, podiam até observar-se bastantes flocos de algodão flutuando no ar, razão pela qual  Maria decidira aproveitar o fim de semana para passear e também com ideia de fazer um boneco de neve em frente de sua casa.
Maria caminhava, caminhava e, ao longo deste processo, esfregava as mãos uma na outra, pois o frio era imenso, até que avistou um rapaz ao longe sentado no chão em frente do rio. A jovem ficou um pouco preocupada, pois não se sentiu muito confortável com o que tinha acabado de ver, então decidiu aproximar-se e, ao fazer isso, percebeu que o tal rapaz estava todo arrepiado, cheio de frio, digamos que quase a congelar, apenas trazia vestido uns calções e uma t-shirt, calçava apenas umas sandálias que não estavam em muito bom estado e, a seu lado, apenas existia um pão.
Maria ficou sensibilizada bem como chocada e perturbada com o que vira. Então, decidiu ajudar o pobre rapaz, metendo conversa com ele para tentar perceber toda aquela situação.
- Olá! Hum ... está tudo bem? - questionou ela, um pouco a medo de incomodar o pobre rapaz.
- Olá! Não ...e quem és? – indagou ele.
- O meu nome é Maria, vivo sozinha numa casa ali na montanha. Vi-te aqui e não me pareceste bem e queria saber o que se passa, se quiseres desabafar... - disse ela àquele pobre rapaz, num tom doce, para que este percebesse que ela era de confiança e que só pretendia ajudar.
- Hum ... penso que já ouvi falar de ti. Eu sou o Martim, prazer. Bem, eu não tenho ninguém, nem casa, nem dinheiro, nem nada para comer, nem para vestir. Por outro lado, estou cheio de frio e não sei para onde ir! - desabafou o pobre jovem, tremelicando por todos os lados e falando com dificuldade, destacando-se os seus lábios bastante roxos.
- Oh, tenho muita pena! Anda, vem comigo, vamos a minha casa, tomas um banho, eu dou-te de comer e arranja-se qualquer coisa quentinha para vestires, que me dizes? - sugeriu Maria muito entusiasmada e interiormente orgulhosa com a sua generosidade.
- Obrigado, és muito amável mas eu não posso aceitar, não quero dar trabalho. Contudo, obrigado na mesma.
- Por favor, aceita. Se me desses trabalho ou se eu me importasse, não te faria este convite e, além disso, não consigo ver-te mais nesse pobre estado!
- Está bem, eu vou! Muito obrigado! Quem me dera que todas as pessoas fossem como tu, obrigado mesmo! - agradeceu ele profundamente a Maria e os seus olhos já brilhavam de  alegria.
Lá foram os dois, caminhando até a casa da Maria. Estavam ambos a tremelicar e Martim mal conseguia andar, pois a fome e o frio que ele já tinha passado, durante tantos dias, era tais que ele poucas forças tinha para qualquer coisa.
Então, Maria voltou a sentir revolta e uma ligeira perturbação, ao ver tudo aquilo e resolveu dar-lhe o casaco dela e as suas luvas. Martim, por sua vez, sorriu-lhe agradecido, mal ela teve este gesto bondoso.
Finalmente chegaram a casa. E a primeira coisa que Maria fez foi acender a lareira, para que Martim assim se pudesse aquecer. Sendo assim, pediu ao rapaz que se sentasse em redor da lareira, se acomodasse e ligasse a televisão. Ele asssim fez, enquanto Maria lhe foi preparar umas torradas com manteiga, leite quentinho com chocolate e um croissantt com fiambre.
Assim que Maria chegou à sala com o tabuleiro repleto de um bom lanche, Martim olhou-a e o seu  olhar deixava transparecer a sua fraqueza por se encontrar cheio de fome.
- Toma, preparei-te um lanche para poderes matar a fome! Come à vontade enquanto te vou encher a banheira com água quente para poderes tomar banho e relaxares um pouquinho. - disse Maria a Martim.
- A sério, mais uma vez muito obrigado! Teres aparecido foi muito bom, porque estou bastante confortável e já não comia há bastante tempo! - exclamou Martim, comendo uma torrada à toa, pois estava realmente esfomeado.
- Não tens nada que agradecer, sempre soube que ajudar as pessoas é algo que todos devemos fazer, pois é o que está certo!
Maria foi assim caminhando até à casa de banho e enquanto para lá ia, sorria para si própria, pois estava feliz pelo facto de Martim se sentir bem e finalmente poder comer e estar quentinho e também porque se sentia muito bem consigo própria por estar a fazer tudo aquilo por um pobre rapaz, que não tinha ninguém no mundo com quem pudesse contar.
A jovem preparou, então, o banho de Martim com água quentinha, colocou-lhe as toalhas prontas e chamou-o :
- Olha, Martim, já te preparei o banho, tens aqui as toalhas, a água está na temperatura certa. Relaxa, que eu vou à feira comprar um pijama e alguma roupa aconchegante para ti.
 - Está bem! Obrigado mais uma vez e não te preocupes, fica tudo em ordem!
Maria pegou num frasco que tinha guardado numa gaveta - o frasco das suas poupanças - e foi à feira comprar roupa para o seu novo amigo. Comprou um pijama polar, uma camisola grossa, um casaco e umas botas. Gastou todo o dinheiro que tinha, mas como se tratava de algo importante e necessário, ela não mostrou muita preocupação.
Momentos depois, chegou a casa e colocou a roupa na casa de banho, para que depois do banho Martim se pudesse vestir.
Ela estava na sala a ler, quando ele apareceu, com o cabelo molhado, com as suas roupas novas, uma aparência totalmente diferente da inicial e a sua face transmitia uma grande felicidade.
 - Obrigado, Maria, estas roupas são super quentinhas e o banho soube-me muito bem! - exclamou ele deliciado.
- Tudo bem! Já disse que não precisas de agradecer. Olha, eu gostava de fazer hoje um boneco de neve aqui em frente à minha casa, queres fazê-lo comigo? - questionou ela a Martim.
- Sim, adorava!
Então, lá foram eles para o exterior da casa e meteram mãos ao trabalho. Uma bola aqui, outra acolá e em mais ou menos uma hora ... VOILÁ!! Lá estava o boneco de neve mais bonito que Maria e Martim tinham visto até agora! Tinha uma cenoura a fazer de nariz, tinha um casaco, um cachecol e um chapéu. Pela descrição parecia um simples boneco como todos os outros, mas aquele tinha qualquer coisa especial. E pelos vistos ambos os jovens sabiam o que era.
- Está maravilhoso! – exclamou ela, mostrando a sua satisfação, com clareza.
- Concordo plenamente! Parece um boneco normal como todos os outros, mas tem algo de especial não tem? - questionou ele a Maria.
- Sim, também sinto isso, mas não sei o que poderá ser.
 - Eu acho que sei ... - disse-lhe ele, com ar tímido.
- Sabes?! Então o que é? - questionou-lhe ela, não fazendo ideia nenhuma de qual seria a resposta.
- As pessoas que o fizeram e o facto de o termos feito juntos ... - confessou-lhe ele, já com as suas bochechas a começarem a rosar.
- Sim ... também acho que sim! Este boneco vai ser o símbolo de uma grande amizade! - disse ela muito entusiasmada.
Martim olhou-a com ar de quem concordava e voltaram a ir para casa, colocando-se junto da lareira e vendo televisão.
Passada uma semana, Maria pensou bem e pediu para Martim ficar consigo a viver lá em casa, visto que dali em diante eram os únicos amigos um do outro e uma vez que Martim não tinha mais sítio para onde ir. O rapaz, um pouco a medo, concordou e a partir daí eram praticamente irmãos, muito amigos, aliás os melhores amigos, antes dizendo e desde aí nunca mais se separaram da vida de cada um.
Ora, de uma simples ajuda, surgiu uma grande amizade!

Ana Rita Tocante, nº 4 , 8º E

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Amor proibido - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Bem! Recuemos até ao tempo em que havia princesas e príncipes.
Era uma vez uma princesa chamada Matilde que, apesar de ser tímida, era divertida e muito bonita. Tinha olhos cor de amêndoa, lábios carnudos e pintinhas sobre a sua cara.
Esta jovem gostava de passar os seus tempos livres a olhar para o pôr do sol e a imaginar uma vida sem obrigações nem regras. Por sinal, estava apaixonada por um camponês que no seu reino trabalhava. Ele chamava-se Diogo, era muito trabalhador, simpático e tinha bom humor. Tinha olhos cor de amora, bochechas rosadas e era alto. Não tinha muitos tempos livres mas, quando os arranjava, sentava-se numa rocha perto da janela da princesa e desenhava-a, enquanto ela apreciava o pôr do sol.
Um dia, o camponês estava a desenhá-la e a apreciá-la no mesmo sítio do costume, quando ela, de repente, se virou e o viu. A princesa não percebeu bem o que ele estava a desenhar, pois do local onde ela se encontrava não dava para ver com clareza. Seguidamente, desceu as escadas e foi ter com ele.
- O que é que estás a desenhar? - perguntou ela, de facto intrigada.
- Nada! Nada! Bem, eu tenho que ir trabalhar! - exclamou ele, enquanto arrumava os desenhos e corria.
- Espera! Não vás! - pediu Matilde, com um ar triste.
No dia seguinte, Matilde foi para a janela como fazia todos os dias, mas olhou para a rocha e o agricultor não estava lá.
- Será que ele já não vem? Será que foi por minha culpa? - interrogou-se.
Entretanto, passaram dias e mais dias e o agricultor sem aparecer.
Então, Matilde, certo dia, decidiu ir dar uma volta para ver se ele tinha arranjado um sítio novo para desenhar. Foi a bosques, a lagos e acabou por encontrá-lo num jardim ali perto. A princesa, por sua vez, muito discreta apareceu por detrás dele e viu o tal desenho. Nem podia acreditar! Era ela!
- Mas… mas... Sou eu! - exclamou ela, muito baralhada.
- O que é que estás aqui a fazer? Não, não podes ser tu! - disse o Diogo, muito aflito.
- Ai sou sim! - clamou ela, mais uma vez.
- Ok, talvez sejas. - concordou ele, com um ar tímido.
- Por que é que me estavas a desenhar? - perguntou ela.
- Já que estamos aqui, eu… eu… eu gosto de ti! - desabafou ele, com as faces do seu rosto avermelhadas.
- Não gostas nada! - negou Matilde.
- Gosto sim! Então, por que é que achas que eu iria desenhar-te? - indagou o agricultor.
- Não sei… Olha, posso dizer-te uma coisa ao ouvido? - inquiriu a princesa.
- Podes… Desde que não grites comigo nem me batas, podes. - comentou ele, entre risos.
- Não é nada disso! Ah! Ah! - respondeu ela, a rir-se também.
- Sabes, aquelas tardes quando estou à janela a ver o pôr do sol? Eu tenho uma razão para o fazer.
- E o que é? - perguntou o rapaz, curioso.
- Nessas tardes, eu penso em ti, penso como seria se eu não fosse princesa. - respondeu ela, muito envergonhada.
- Tu pensas em mim? Não fazia ideia! Eu pensava que para ti nem existia. - disse ele, muito admirado.
- Eu sei quase tudo sobre ti. O único problema é eu ser princesa, e as princesas têm que casar com um príncipe obrigatoriamente. – confessou ela, com um ar triste.
 - Pois, eu sei… Mas não devia ser assim! – exclamou o pobre Diogo.
- Eu sei disso! Mas… tenho uma ideia! – disse Matilde, muito entusiasmada. - E que tal fugirmos os dois? Só os dois! Sem ninguém a prender-nos aqui, sem ninguém a mandar em nós!
- Estás bem?! E os teus pais? E os teus amigos?
- Os meus pais não me dão atenção e amigos? Amigos só tenho um e esse és tu. - afirmou a princesa.
- Tens a certeza? É que eu não quero que arranjes problemas com a tua família. - comentou Diogo, muito confuso.
- Sim, tenho a certeza! Eu quero fugir e a minha decisão está tomada! - asseverou ela, muito determinada.
- Mas para onde vamos? E como vamos sobreviver? - questionou ele, mais uma vez muito confuso.
- Para um sítio longe daqui. Não te esqueças que eu sou princesa, tenho dinheiro.
- Bem… e quando partimos
- Pode ser amanhã! Antes do pôr do sol, pois é quando a minha mãe está a treinar os cavalos e o meu pai a caçar. - sugeriu ela, muito contente.
- Por mim, pode ser. Então, vemo-nos amanhã e encontramo-nos aqui, neste mesmo local.
Eis, então, que chegara a hora e eles encontraram-se no local combinado.
- Estás pronto? - perguntou Matilde, assim que o viu.
- Sim, estou e tu?
- Preparadíssima! - confirmou ela, com um doce sorriso na sua cara rosada.
E lá foram eles. Entretanto, andaram, andaram até que ficaram numa pequena tenda perto de um bosque.
A mãe da princesa, por sua vez, começou a ficar preocupada com a ausência de sua filha e decidiu esperar mais uma hora do que o habitual para ver se a Matilde aparecia, mas não apareceu. Por isso, decidiu mandar alguns guardas do reino procurá-la.
Os guardas andaram dia e noite à procura dela. Passaram dias e dias até que um outro grupo de guardas os encontrou no bosque a apanhar maçãs.
- Venha já para casa, princesa! A sua mãe anda desesperada! - exclamou um dos guardas.
- Eu não vou a lado nenhum! Eu quero ser feliz! Não quero estar presa naquele castelo que é uma autêntica prisão! - vociferou Matilde, muito determinada.
- Tem que falar com a sua mãe! Ela está muito preocupada!
- Ela que cá venha! Pois eu não vou!
Momentos depois, a rainha chegou ao bosque e mal a viu, disse:
- Filha, és tu! Ainda bem que estás bem!
- Eu estou bem! Calma! Mas eu quero ficar com o Diogo! - comentou Matilde, destemida.
- Tu sabes que só podes casar com um príncipe! Não podes casar com um agricultor! Isso está fora de questão! - exclamou a rainha, com um ar arrogante e altivo.
- Posso ser só um agricultor, mas tenho mais coração do que muitos que são príncipes! Posso ser pobre, posso não ter roupa como Vossa Excelência, mas tenho coração! - asseverou o agricultor, com segurança e determinação.
- Mais uma coisa! Não o volte a rebaixar! Agora pode ir embora, mãe! - sugeriu a princesa, irritada.
A rainha acabou por se ir embora e, mal chegou ao castelo, contou o sucedido ao rei.
O pai da princesa, no dia seguinte, foi ter com eles e percebeu o que realmente se estava a passar e dirigindo-se ao camponês, disse:
- Desculpe o comportamento da minha esposa. Ela, às vezes, acaba por ser muito arrogante com as pessoas.
- Só às vezes?! - inquiriu, de imediato, a princesa.
- Bem… Eu só quero que vocês sejam felizes, por isso podem ir viver para a minha outra casa. Matilde, tu conheces! Aquela casa logo a seguir à fonte. - sugeriu o rei.
- A sério?! Sim, eu conheço. Obrigado, pai! - agradeceu Matilde, deveras contente.
- Obrigado por compreender o nosso amor que é realmente verdadeiro, meu rei!
- De nada! Eu vou visitar-vos no fim de semana. E, mais uma vez, desculpem.
E assim foi. Entretanto, com o passar do tempo, o Diogo e a Matilde tiveram três lindos filhos e construíram uma família.
Ah! Já me esquecia! A rainha, com o tempo, percebeu que eles se amavam de verdade, por isso pediu-lhes para irem todos viver para o castelo, até mesmo a família do camponês.
E assim, mais uma vez, o amor ultrapassou todas as barreiras.
Inês Sousa Gouveia, nº 15, 8º E

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Verdadeiro Amor - Texto Narrativo concorrente concurso Ler & Aprender



Uma vez, no século XVII, no centro da cidade de Veneza, vivia um pequeno ladrão chamado Francesco Vitorino. Tinha cabelos enrolados cor de avelã, olhos tão reluzentes como esmeraldas e um tom de pele moreno torrado do sol.
Francesco dedicava-se ao roubo de pequenas coisas de grandes figuras importantes, detentoras dos mais belos e luxuosos palácios de Veneza da época. Embora fosse um pequeno ladrão, Francesco Vitorino, era capaz de escapar aos mais competentes carabineiros, que mantinham a segurança em Veneza. Muitos deles levavam uma vida de corrupção, roubavam, pilhavam, incendiavam e, nalgumas das vezes, executavam pessoas inocentes, para encobrir os seus crimes.
As pequenas coisas que Francesco “apreendia” davam-lhe uma boa vida. Uns dobrões de ouro aqui, umas joias valiosas acolá, etc.
Num campo, habitava uma bela donzela chamada Flora. Era a filha mais nova de um grande senhor influente em Veneza, Milão, entre outras grandes cidades. Flora fugira de casa aos quinze anos. Agora, com vinte e um anos, ela era uma das pintoras anónimas mais talentosas e procuradas de todo o centro da Europa. Flora, tinha um “capanga” que levava as obras para os centros de artes da Alemanha, França, Bretanha, etc.
Certo dia, farto de levar uma vida de crime, Francesco, decide iniciar a sua fuga de Veneza. Ainda ponderou ir para os países nórdicos, mas demoraria demasiado tempo a reconstruir a sua vida. Com todos os carabineiros de Veneza atrás de si, Francesco, roubou uma gôndola, com aspeto de estar abandonada, e pelos canais do rio Pó iniciou a sua viagem.
Terminou a sua jornada perto do lugar onde Flora habitava. A casa de Flora era a única no meio do enorme campo, junto de um bosque nos arredores de Veneza. Francesco pediu auxílio a Flora fingindo estar gravemente doente, planeando saquear-lhe a casa, assim que ela confiasse nele:
- Abrigai-me na vossa humilde casa! - suplicou Francesco, num tom quase de gemido.
Flora tinha os olhos azuis a brilhar como as estrelas, pele de pérola e cabelo liso de ouro.
- Entrai. - respondeu ela fazendo um pequeno sorriso.
No início, Francesco apenas comia e dormia. Mas com o passar do tempo, começou a ajudar na quinta: tratava dos cavalos, dava de comer às galinhas e aos porcos, reconstruía o telhado, pintava a casa, e de vez em quando ia à vila comprar comida e outras utilidades.
Certo dia, quando Francesco foi comprar cevada e café a uma taberna encontrou um grupo de carabineiros.
Era suposto ser só um turno de vigia calmo, mas quando o Francesco se apercebeu de que eles suspeitavam de algo, regressou à quinta. Fez curvas e contra curvas para o caso de estar a ser seguido.
Assim que chegou à quinta correu para casa, onde estava Flora, a preparar o jantar.
- Que se passa? - perguntou ela curiosa ao ver o estado de nervosismo de Francesco - Estais-me a deixar preocupada!
Francesco contou o seu passado a Flora. Implorou-lhe que não o denunciasse e pediu-lhe perdão por a ter enganado. Contou-lhe a sua história e o porquê da sua vida de assaltante:
- Fiquei órfão aos nove anos quando a taberna de meus pais foi assaltada e onde eles foram mortos. Mais tarde no cortejo fúnebre descobri que um político, ou lá como ele se intitulava, mandara o saque. Apenas porque pagaram um dobrão de ouro a menos, depois de vinte anos sem uma única falha. Afinal estou apenas a fazer justiça por minhas próprias mãos!
- Flora, comovida com a história de Francesco, prometeu não o denunciar. Também emocionado, Francesco beijou Flora.
E assim passaram os anos. Francesco e Flora tiveram quatro filhos. O filho mais velho, de 9 anos, é Luigi. A segunda filha, de 5 anos, é Giovanna. Os gémeos, os mais novos, de 3 anos, são a Anouk e o Donatello. Vivem todos ainda na mesma velha quinta, onde Francesco pedira pousada a Flora.
Francesco arranjou a cavalariça e começou a fazer corridas de cavalos, ganhando enormes fortunas. Flora pintava de vez em quando mas agora dedicava-se mais à sua família.
Ainda hoje alguns dos mais famosos quadros do mundo, com nomes de outros artistas, foram produzidos por Flora.
Ema Fadiga, 8º Ano
Género Narrativo - 3º Ciclo

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Um encontro inesperado - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Um dia decidi ir com uma amiga à famosa Biblioteca Joanina, em Coimbra, para visitar o espaço e aprender algumas coisas. A meio de um dos enormes corredores, ela disse-me:
-Vou à casa de banho. Espera aqui por mim, não demoro nada!
Concordei em esperar e, enquanto ouvia os paços da minha colega a afastarem-se, apareceu uma linda mulher, era alta e tinha um sorriso encantador. Ao início não a reconheci, foi por isso que perguntei:
- Quem é você? Conheço-a?
- Sou Penélope, não te lembras de mim? Sou a mulher de Ulisses, rainha de Ítaca, que esperou anos a fio pelo seu amor. Já te recordas?
- Sim! - disse  eu um pouco envergonhada.
 Como é que eu não me lembrava daquela valente mulher que cuidou do seu filho sozinha e esperou tanto tempo pelo seu amor!? Cheia de curiosidade, perguntei:
- Porque é que veio ter comigo. Fiz algo de mal?
- Não. Só vim ter contigo para te explicar como é bom leres. Continua sempre a ler livros de todos os tipos. Foram eles que me ajudaram a passar o tempo enquanto esperava por Ulisses e lembra-te que num livro tens sempre um amigo.
Depois destas sábias palavras, desapareceu… A minha amiga chegou e contei-lhe o momento mágico que tinha acabado de acontecer.

Margarida Ribeiro, n.º 17, 6.º D

domingo, 24 de agosto de 2014

Uma tarde com a Ana - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Estava um dia escuro e, como não havia nada para fazer, decidi ir à biblioteca. A biblioteca estava vazia, as únicas pessoas que lá estavam eram o novo bibliotecário (que não parecia nada feliz por estar lá) e a fundadora da biblioteca que sabia de cor todos os parágrafos de todos os livros.
            Talvez a biblioteca estivesse assim, porque todos os usuários daquela biblioteca estivam no quentinho das suas casas, rodeados de amigos e da família. Eu não tinha a mesma sorte…
            Naquela biblioteca havia várias salinhas, normalmente estavam quase todas abertas… Mas sempre houve uma que nunca tinha visto aberta e sempre quisera espreitar. Naquele dia, essa salinha estava aberta. Entrei na pequena sala, peguei num livro e comecei a ler… À medida que ia lendo, tinha sensações estranhíssimas. Como nunca ali tinha estado, começava a ficar com medo, por isso, comecei a tentar descansar-me e a arranjar desculpas para aquelas tais sensações, como por exemplo o facto de a cadeira ser super desconfortável. Continuava a sentir-me estranha, por isso, por breves momentos, virei-me para ver se mais alguém estava na sala, e, quando ia para continuar a ler o livro que estava a ler, uma menina com uma carinha de anjo, e uma voz muito doce disse-me:
             - Talvez eu esteja a fazer sentir-te assim…!
            Aqueles seus olhos verdes distraíram-me por momentos, ela era de facto linda. Mas depois reparei nas suas roupas e nos seus cabelos. O seu aspeto era igual ao da rapariga do livro que estava a ler, a Ana. Por momentos assustei-me… Estaria eu a sonhar? Mas acalmei-me. Comecei a falar com ela. Ela via o mundo da mesma maneira que eu, era capaz de ler o mesmo livro imensas vezes, tal como eu, e, por isso, quando vi que ela era a Ana não conseguia parar de falar com ela. Os assuntos eram muitos, mas houve um em que não consegui deixar de pensar… Afinal, o que era a leitura para nós? Para mim, era imensa coisa, era uma maneira de viajar sem sair do sítio, e de aprender e sonhar. Para ela era a sua maneira favorita de traduzir sentimentos...
            O tempo voava enquanto falava com ela, mas, assim do nada, as duas tivemos uma grande dor de cabeça, sentia-me como se toda a minha imaginação estivesse a fugir de mim… Percebemos que o facto de ela ser a personagem de um livro e eu ser uma simples humana (desvairada em imaginação!) impedia-nos de pudermos estar juntas… Mas antes de ir, ouvi a sua doce voz a dizer:
            - É tudo mais fácil quando ninguém te julga de imediato. As críticas podem até vir, mas tudo depende de ti. Por isso, faz o que gostas por que se tu gostares alguém mais vai gostar.
            E assim do nada foi embora. E assim do nada aprendi o que não aprenderia sem o poder da leitura. E assim do nada, o dia escuro tornou-se no dia mais bonito que os meus olhos alguma vez tinham visto.

Joana Salomé Fidalgo, n.º 13, 6.º D

sábado, 23 de agosto de 2014

Ler, uma aventura magnífica… - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

Certo dia, conduzida pelos braços da curiosidade e pelas saudades do “cantinho da leitura” da minha Escola Primária, decidi ir até uma Biblioteca antiga da minha cidade, mas que eu ainda desconhecia. O meu objetivo era tentar encontrar um livro que me encantasse profundamente.
Assim que entrei, fiquei logo fascinada, pois aquele espaço era de facto incrível, enorme e acolhedor. Aliás, era um mundo cheio de vida! Comecei a olhar para aquelas estantes altas, feitas de madeira, cheias de livros, todos muito bem arrumados e a olharem para mim. Finalmente, peguei num e sentei-me a lê-lo. O livro era realmente interessante e as personagens também, mas havia uma que despertou de imediato a minha atenção: um anão chamado Ninguém (este nome fez-me logo lembrar o episódio hilariante de Ulisses com o ciclope Polifemo). Este anão, para além de ser pequenino (claro!) e de ter uma barba comprida, usava umas calças e uma camisola todas rotas. Os sapatos também já tinham um ar desbotado e cansado. Ele era bastante divertido, engraçado e muito inteligente. Sinceramente, era mesmo o tipo de pessoa que eu gostava de conhecer!
 Passado algum tempo, estava eu embrenhada na leitura, (ia já na página cinquenta e oito), quando a personagem do anão surgiu novamente na ação. De repente, zás, trás, pás! … O anão deu um salto do interior do livro e aterrou precisamente no meu colo… Fiquei assustada, mas, entretanto, acalmei-me.
- Porque é que tiveste essa reação? - perguntou o anão, com um ar um pouco irritado.
- Tu falas?! Nunca me passou pela cabeça que viesses para este mundo! - exclamei eu, ainda um pouco atordoada.
- Mas eu até ouvi dizer que me querias conhecer… - continuou Ninguém, agora já com uma voz muito doce.
- Pois, é verdade! Mas volto a dizer que nunca pensei, nem nos meus fantásticos sonhos, que conseguisses “viajar” até este mundo, o mundo real!!
Entretanto, conversámos muito e durante algum tempo. Ele, por sua vez, contou-me histórias sobre o seu mundo e eu contei-lhe alguns segredos… Partilhámos vivências, sonhos, cheiros e até sensações!
Esta aventura fez-me assim perceber que ler faz bem à alma, que um livro é um amigo que está apenas à distância de uma ida à Biblioteca.

Francisca Melo, nº 7, 6º D

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Texto Lírico concorrente concurso Ler & Aprender - Ensino Secundário

Para nada jamais se esquecer,
Jorrai o sangue, inutilizai o aço,
Esquecei o gelo e esbanjai as chamas,
Plantai a semente do qual se irá erguer.
A ordem do para sempre eterno monarca!
Deixei que a mentira parca,
No seu vazio abraço,
Engana mentes e almas,
Ela que tão mais que a morte
O tal império e ignóbil corte…
Pois que se abram os portões de tal inferno!
Que no fim, apenas restará, o eterno sopro do inverno.
Nada existe ou existirá
Que para além da morte verá
Morte eterna que nos acompanha
De sempre ao último descanso
Só o tempo te para e engana
E só o tempo te tem avanço
Para sempre alguém irá governar,
Para o tempo o recordar,
E nada mais se esquecer,
Num coração gelado dolorosa marca,
Semente do qual se irá erguer,
O para sempre eterno monarca!

João Pedro Santos, nº 11, 11º D