Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Professoras: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Alunas: Adriana Matos, Ana Neta, Beatriz Agante, Matilde Santos e Sofia Pedrosa

Alunos: Daniel Almeida, Henrique Ferreira, João Rocha e Tomás Antunes

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia Mundial da Bengala Branca

O Dia Mundial da Bengala Branca assinala-se no dia 15 de outubro, e é o símbolo de independência, liberdade e confiança das pessoas cegas. Foi estabelecido pela Federação Internacional de Cegos em 1970 e tem como objetivo reconhecer a independência destas pessoas e a sua plena participação na sociedade, na medida em que a sua utilização permite ao deficiente visual movimentar-se livremente.
 Tendo assim em conta esta comemoração, foi-me pedido que elaborasse um texto que retratasse uma situação enquadrada neste dia e assim o fiz!


A minha vida mudou!…

Antes daquele trágico dia, João era um jovem feliz, tinha amigos e claro, ia à escola. Podia ver o amanhecer, o pôr do sol, a chuva a cair, e o seu tão adorado mar.
Tudo aconteceu quando, num dia de brincadeira e distração, ele e os seus amigos decidiram ir de carro para a praia. A distração dos rapazes era tanta que afetava o condutor, também jovem, que acabou por se envolver nos risos, no bater de palmas e no cantar dos seus passageiros. Claro que teve um atitude incorreta, pois deixou de ver a estrada, bem como os carros que vinham, não tendo assim a noção do que se iria passar a seguir... Um carro, de certo modo com bastante velocidade, entrou de rompante na estrada e foi bater no carro de João e seus amigos, deixando o veículo completamente desfeito e a saúde dos seus passageiros também.
Umas horas depois, já no hospital, soube-se a triste notícia, houve muitos arranhões, muitos ossos partidos e houve um dos rapazes que ficou cego. E esse rapaz era o João.
Quando regressou a casa, o jovem estava arrependido daquele dia, daquela hora, daquela brincadeira, e pediu para que tudo voltasse atrás. Mas, naquele momento, nada podia fazer e na verdade, não voltaria a poder ver a cara dos seus pais, dos seus irmãos, da sua família. Não poderia voltar a ver nada! E, de repente, uma certa raiva e frustração começou a correr-lhe nas veias e chorou, chorou até conseguir pôr tudo cá para fora.
Nos dias que se seguiram, João teve de deixar a sua vida normal, e juntar-se a uma associação de jovens invisuais, e aí conheceu excelentes pessoas que o ajudaram com tudo, lhe ensinaram muito... João passou a conseguir usar mais os seus outros sentidos, para reconhecer as pessoas, os objetos, e a comida e teve de reaprender a ler. Na sua vida, passou a fazer parte uma outra língua, o Braille, utilizada pelas pessoas com a mesma deficiência para conseguirem ler, através do tato.
Mais meses e dias passaram, e a raiva e a frustração de João começavam lentamente a esvair-se, pois começou a aperceber-se que não era assim tão difícil de lidar com o facto de ser cego.
 Ao contrário do que as pessoas pensam, os cegos não são seres incapacitados. Podem fazer tudo na perfeição, e talvez melhor que as pessoas chamadas "normais".
João fazia a sua vida normalmente, podia andar na rua graças à sua bengala, que o "conduzia" para todo o lado, e também graças ao seu cão-guia Scooby, um labrador preto, treinado para ajudar pessoas com os mesmos problemas que ele.
No dia em que fez um ano em que o acidente se deu e em que a sua vida mudou, o João resolveu fazer uma avaliação do seu momento de mudança, os prós e os contras. Após esse momento de reflexão, chegou à conclusão que, embora tivesse sido um acidente terrível e não pudesse nunca mais voltar a ver o Mundo à sua volta com os seus olhos bem como a sua família, reconheceu que afinal, a partir desse incidente, passou a tirar partido de outras sensações que nem sabia ter tão apuradas.
João pode ter deixado de conseguir ver como qualquer um de nós o que o rodeia, mas passou a conseguir cheirar, ouvir e tocar, ou seja, passou a “ver” o Mundo à sua maneira.


Ana Patrícia Fernandes, O Ciclista

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