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domingo, 7 de setembro de 2014

Acreditar na esperança! - Texto narrativo concorrente concurso Ler & Aprender

A torrente de água brota dos meus olhos incontrolável! Agora, não sei mais o que fazer. Portanto, deixo que deslize e se desfaça no meu rosto dilacerado pela dor. Dor que já nem compreendo… Já nem sei de onde provém.
Quem me dera ser outra vez criança. Poder estar outra vez protegida pelo calor dos braços aconchegantes da minha mãe e pelo sorriso terno e bem-disposto do meu pai. Poder sonhar com o mundo encantado dos brinquedos e da fantasia.
Tudo é tão diferente, quando se é crescido.
Eu era uma menina igual a tantas outras. Brincava com as minhas Barbies, os meus jogos de empilhar, de encaixar. As minhas épocas prediletas eram o Natal e as férias grandes. Nessa altura, o meu sorriso parecia ainda ser mais radiante. O Pai Natal visitava-me todos os anos durante a noite de Natal. Eu bem tentava esperá-lo mas, quando chegava a hora, o sonito apertava de tal maneira que nem o tilintar dos sininhos das renas me faziam regressar do mundo do sono e dos sonhos. Quando finalmente chegava a manhã, eu corria para junto da lareira, onde o meu sapatinho já estava recheado de belos presentes, que eu abria ávida por descobrir as surpresas desse ano.
No verão, adorava construir belos castelos de areia e nadar nas límpidas e tépidas águas do belo oceano. Se não estivesse à beira-mar, divertindo-me na dourada areia ou passeando-me por entre o emaranhado das pessoas que povoam as praias, então a piscina era o meu lugar de eleição, ainda o é, pois nela eu solto as minhas energias e o meu eu mais profundo. Aliás, liberto-me!
No infantário era uma alegria constante, apesar de ansiar a chegada do pai ou da mãe, gostava da companhia dos meus amiguinhos. Como era bom brincar, saltar, jogar à apanhada, ou ir para o parque infantil. As festas, em que as famílias podiam assistir, também eram tão bonitas. Embora, às vezes, tivessem palhaços que nos assustavam, não era por mal, mas metiam medo por estarem mascarados.
Recordo com muita saudade o tempo em que o meu pai ou a minha mãe vinham para o meu quarto ler-me a historinha antes de dormir. Isso não terminou, ainda continua, mas não da mesma forma. Claro, que agora sou eu que as leio. Daí as saudades que sinto desses tempos maravilhosos. As histórias também eram outras, evidentemente diferentes e para crianças. Todavia, mantenho esses ternos momentos em que pego no livro, esse eterno tesouro, e me deixo transportar para o seu mais profundo âmago. Em que me envolvo na sua história e viajo nas asas da fantasia para o mundo de outras pessoas.
Depois chegou a escola. Não era difícil. Tudo corria bem, aprender a ler e a escrever, a somar, a subtrair, a dividir e a multiplicar. Os planetas, o aparelho digestivo, auditivo, entre outros. Enfim, tudo queríamos saber. Contudo, a facilidade foi-se desvanecendo e deixou de ser algo que parecia inato como o que aprendemos na infância.
Quando aprendi a andar? A nadar? Não me lembro. A andar de bicicleta? Foi difícil? Não! Quando aprendi a andar de patins foi difícil? Também não! Enfim, mas agora que penso no meu futuro, isso sim. Isso está a ser tão difícil. Sinto tanta insegurança. Oiço as notícias. Leio os jornais. Vejo na televisão. E nada, mesmo nada me traz um pouco de esperança.
Com o tempo, a responsabilidade foi aumentando. O estudo, a necessidade de ter boas notas, entrar na universidade, ter um emprego. Mas, que emprego? Se há tanto desemprego! Que curso tirar? O X? Não tem saída. E o Y? Já estão os lugares esgotados. E se for o Z? Esse, então, ainda está pior!
Parem! Já chega!
Não consigo!
Estão a baralhar-me.
Então, desfaleço e não consigo ouvir-me a mim mesma.
Tenho de reagir. Sei disso. Volto a lembrar tempos idos. Esses em que o futuro era algo belo. Em que tudo era bom, bonito. Fácil! Podia ser tudo e tudo era tão simples. Como era bom ser pequenina! Era mesmo bom.
Sempre que íamos a algum lado e via um novo profissional a trabalhar, já me via no meu futuro. Fosse ele um médico, ou um balconista. Mas o mais importante é que o meu ideal estava ali e eu era feliz!
Como qualquer criança, a simplicidade estava presente no meu pequeno querer e no meu sentir. Não compreendia a realidade dos factos. Quando eles se me apresentaram nus e crus, foi um choque brutal! A minha consciência acordou como de um transe hipnótico e fez-se luz.
Mas, se a torrente de água que brota incontrolável dos meus olhos não parar? Não sei mais o que fazer e se deixo que deslize e se desfaça no meu rosto dilacerado pela dor. Dor que vejo e compreendo e sei de onde provém.
Como sei que já não posso ser outra vez criança.
Nem posso sonhar com o mundo encantado dos brinquedos e da fantasia, embora possa estar outra vez protegida pelo calor dos braços aconchegantes da minha mãe e ter o sorriso terno e bem-disposto do meu pai.
Então, o que me resta fazer?
Lutar! Pegar nessa palavra que quis esquecer e que se diz esperança, e gritá-la bem alto, vezes sem fim. Até ver se entra bem dentro de mim, pois se eu mesma não confiar, quem o fará por mim?
Dizem que somos nós as mulheres e os homens de amanhã. Então, temos de ser nós a construir o nosso futuro. Temos de ser nós a fazer por nós. Sou eu que tenho de fazer por mim. Como tenho de lutar por aquilo que pretendo e vencer.
Sei que tudo depende de mim. Do meu querer, do meu esforço e da minha força. Dessa força interior que nem sempre tenho. Mas, que quero ter!
Os Homens de hoje sabem que têm de lançar os alicerces da construção do nosso futuro. Têm de lançar sementes sãs, para não hipotecarem o amanhã com uma podridão avassaladora.
Os atuais governantes têm de desenvolver a economia, pois, se esta não se desenvolver, as condições de vida das populações degradar-se-ão e o nosso futuro ficará insustentável.
Eles sabem que não podem comprometer o futuro das próximas gerações, têm que pensar na sustentabilidade! Têm de respeitar os seres humanos e, muito particularmente, respeitar-nos a nós, os jovens.
Não se esqueçam: “Nós iremos ser as mulheres e os homens de amanhã!”
Depois de tudo, tenho de acreditar e de lutar para vencer!
Acredito na esperança!
Adriana Matos, nº 1, 10º Ano, Turma A

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