Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Professoras: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Alunas: Adriana Matos, Ana Neta, Beatriz Agante, Matilde Santos e Sofia Pedrosa

Alunos: Daniel Almeida, Henrique Ferreira, João Rocha e Tomás Antunes

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Raquel Neves Seiça - Menção Honrosa Género Narrativo - 2º Ciclo

O mar e a rosa

Há muito tempo, um jovem foi condenado, por algo que estava inocente, a passar vários anos numa prisão que ficava numa pequena ilha isolada do mundo. Nesse lugar quase deserto, apenas havia algumas casas e um hospital.
Um dia, quando ele estava a limpar a sua cela, ouviu uma linda voz. Olhou lá para fora e viu uma rapariga a apanhar girassóis ali perto.
- Olá, como te chamas? – disse o prisioneiro.
- Eu? Eu chamo-me Rafaela – disse ela. – E tu, como te chamas?
- Eu chamo-me João – respondeu ele.
- E porque estás preso? – perguntou a Rafaela.
- Eu estou preso por uma coisa que não fiz – respondeu ele.
- Isso não devia ser assim - disse a rapariga. – Bem, eu tenho de ir embora.
- Espera, podes vir ver-me amanhã? – perguntou o rapaz.
- Claro que sim!
Mas o que ele não sabia era que a nova amiga sofria de uma doença chamada “Cancro”. A Rafaela ficava quase todos os dias no hospital, mas durante algumas horas, ia lá para fora ver os girassóis. Eram lindos!
No dia seguinte, a Rafaela veio visitar o João. Quando chegou lá, viu-o a chorar e perguntou-lhe:
- João, porque estás a chorar?
- Eu não estou a chorar. Eu sou um homem – respondeu o João.
- Claro que estás, tu não tens de ter vergonha, só porque és um homem. Agora conta-me o que foi – disse a Rafaela.
- Eu fui espancado pelos guardas por não ter feito nada e agora o meu corpo ainda me dói – respondeu ele.
- Ah, foi isso?! Desculpa. – disse a Rafaela.
- Porque te desculpas? – perguntou o João.
- Porque o meu pai trabalha aqui, ele é o xerife. Ele chegou tarde a casa e eu perguntei-lhe porquê. Ele disse-me que tinha dado uma lição a um dos prisioneiros. Se eu soubesse que eras tu, então tinha-lhe dito para não fazer isso – respondeu Rafaela.
- O teu pai trabalha aqui?! – surpreendeu-se João – Olha que não sabia, mas não tens de te desculpar.
- Estou feliz – disse a Rafaela. – Tenho de te dizer uma coisa.
- O quê? – perguntou o João.
- Eu não posso vir amanhã visitar-te porque vou fazer uma operação – respondeu ela.
- Porquê? – perguntou o João.
- Porque eu tenho cancro. – respondeu a Rafaela.
- Não acredito! Então para dar sorte para a tua operação, toma isto – disse o João, dando uma rosa à amiga.
- Ah, muito obrigada, João! – agradeceu a menina, muito comovida.
No dia seguinte, Rafaela estava a sentir muitas dores mas, quando olhou para a janela e viu a rosa do João, sentiu-se melhor e com coragem para enfrentar aquele momento difícil que se aproximava.
Quando a operação acabou, Rafaela já não tinha dores. Olhou para a janela e sorriu ao ver outra vez a rosa que o João lhe tinha dado. Era linda e perfumada! Depois viu o mar lá fora e teve uma ideia. Apenas não sabia que o pai a observava fora do quarto, pensando em quem lhe teria dado aquela rosa.
Subitamente, sem dizer nada, ele entrou no quarto, pegou na rosa e esmagou-a com a mão. Rafaela ficou profundamente triste e, com os olhos rasos de água, saiu da cama e pegou nos restos da rosa.
No dia seguinte, sentindo-se melhor, arranjou forças para visitar o amigo. João, vendo-a limpar as lágrimas, perguntou-lhe:
- Rafaela, tu estás bem?
- Sim, estou bem. A operação correu bem, mas o meu pai estragou a rosa que tu me deste – respondeu a menina.
 - Não faz mal, não tens de te preocupar, vais ver que ainda te vou dar mais rosas do que podes imaginar – respondeu o rapaz, consolando-a.
-Muito obrigada por me animares! Olha, eu tinha pensado numa surpresa para ti – disse a Rafaela. – Onde guardam as chaves para abrir a porta?
- Guardam-nas ali, no bolso daquele polícia que está a dormir – respondeu o João.
A Rafaela foi buscar as chaves sem acordar o polícia e depois abriu a porta da cela.
- Onde me levas, Rafaela? – perguntou o rapaz.
- Aqui ao lado. – disse ela.
João viu um lindo mar, sentiu a brisa fresca na cara e sentiu a água a vir até aos seus pés. Mas, de repente, começou a chorar.
 - O que foi, João? Não gostaste da surpresa? – perguntou a Rafaela.
- Não, não é nada disso – disse o João. – É que foi aqui que fui abandonado pelos meus pais, depois fui encontrado por um casal que me adotou. Mas, alguns anos depois, eles foram assassinados e culparam-me pela morte deles.
 - Que triste história! Então foi por isso que foste preso? – disse  Rafaela.
Passaram horas a olhar para o mar, até que sentiram as suas mãos uma em cima da outra e ficaram corados. Depois João falou:
- Rafaela, eu tenho uma coisa para te dizer.
- O que é? – perguntou ela.
 De repente, João deu um beijo à amiga, mas o pai estava a vê-los e acabou por se afastar sentindo que tinha de intervir. Rafaela e João acabaram por se beijar e ela não sabia o que dizer.
- Eu… eu não sei o que dizer.
- Responde-me só a esta pergunta – disse o rapaz. – Tu gostas de mim?
- Sim…eu gosto de ti – disse a jovem.
Depois, levou o amigo para a prisão para não pensarem que ele tinha fugido. Ela não queria, mas os guardas iriam à sua procura se não aparecesse.
- Amanhã, eu venho ver-te para podermos ver o mar outra vez, só tenho de ir ao hospital, primeiro. Adeus! – despediu-se a Rafaela.
No outro dia, logo de manhãzinha, o rapaz conseguiu tirar as chaves da porta da prisão ao polícia e foi à praia para voltar a ver o mar com a Rafaela.
Enquanto estava à sua espera, o pai, que já tinha planeado tudo, mandou os guardas à praia. Os guardas apontaram as suas armas ao João e, quando ele se virou para trás a pensar que era ela, foi atingido muitas vezes. Ao cair no mar, largou a rosa que iria oferecer à Rafaela.
 Naquele momento, a rapariga ainda estava no hospital ansiosa por ir ter com o amigo. Mas, de repente, sentiu uma dor vinda do seu peito e achou estranho, pensou que podia ser alguma coisa relacionada com o João. Então, saiu do hospital e foi ter à praia.
Quando lá chegou, viu muitos polícias e o pai à frente. Ela correu para ver o que era e viu o João morto na água. Correu até ele, abraçou-o com força até que viu a rosa no mar. Começou a chorar, apoiando a cabeça no peito dele.
O pai arrastou-a. Ela tentou libertar-se, mas não conseguia. Começou a chorar, o pai levou-a para o hospital e trancou a porta do quarto. Ela não conseguia falar, só ficava ali calada com os olhos frios, a olhar para a rosa que tinha pegado no mar.
Olhou pela janela e viu o mar agitado. Levantou-se da cama, abriu a janela e saltou para fora. Foi até a um penhasco, olhou para o mar e a única coisa que disse foi:
- Finalmente podemos estar juntos!
Saltou para o mar com um sorriso, murmurando:
 - João…
No hospital, as enfermeiras foram avisar o pai que ela tinha desaparecido. Ele correu para o quarto e a única coisa que viu foi uma janela aberta a mostrar o mar e no parapeito uma rosa fora do vaso deixando cair a última pétala.

FIM


Raquel Neves Seiça, nº 19, 6º A

Escola Básica nº 2 de Anadia

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