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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Concorrente ao Género Narrativo - O Mar…

Desde pequenino que sempre quis dar uma volta ao mundo de barco. Tirei o curso de ciências do mar, apesar de ter demorado mais que o previsto, pois tive muitos problemas na universidade…, mas não quero falar sobre isso! Trabalhei em part-time durante 6 anos para arranjar dinheiro para um barco. Estava determinado e, por isso, foi mais fácil! Quando comprei o meu barco, batizei-o de “Capitão Freitas”! Dei-lhe esse nome, pois era o que a minha ex-‑namorada me chamava! Ela foi muito especial para mim e confesso que ainda sinto qualquer coisa por ela, mas ela já tem outro namorado, por isso não posso fazer nada! Mas isso não interessa! No dia 25 de Abril, saí do porto de Lisboa.
Ainda só estava no 15º dia de viagem e já estava cheio de saudades da minha família e dos meus amigos. Eram 19:00h certas e o sol estava a pôr-se! Passou um barco por mim com um casal abraçado a ver o pôr-do-sol. Aquilo fez-me lembrar um momento com a Mariana, a minha ex-namorada: estávamos na praia em cima de umas rochas e, se fôssemos um bocadinho mais para a frente, caíamos no mar. Era arriscado, mas lindo. O mar estava calminho e o sol já se estava a pôr. Lembro-me dela dizer que aquilo era lindo e de eu lhe contar o meu sonho! Ela disse que queria vir comigo, mas agora estou aqui sozinho… Uma lágrima estava já no canto do meu olho, não a evitei, porque sempre me disseram que homem que é homem não tem vergonha de chorar!
Passadas umas semanas cheguei à Índia. Decidi ir lá durante o dia. Dei uma volta pela cidade e fui até a uma loja de lembranças que lá havia. Vi uma cruz e rapidamente me lembrei da minha mãe! Sim, ela morreu! Fez 6 anos no dia em que parti. Sinto imensas saudades dela! Quando ela desapareceu, pareceu-me que todo o mundo ficou cinzento e que todas as coisas perderam o seu encanto, à exceção do mar, claro! Pousei a cruz e levei outras lembranças da Índia. Voltei para o barco, mas antes fui buscar mais comida!
Assim se passaram meses… eu ia-me lembrando dos meus amigos, da minha família, e especialmente da Mariana. Tantas coisas que nós fizemos juntos, atos malucos, atos de apaixonados e agora… agora ela tem outro e eu estou aqui sozinho! Só eu e o mar… afinal só o mar me entende!!
Estou de regresso e hoje vou parar em França, já não vou dar a volta ao mundo, mas apenas à Europa. É verdade que passei pelo oceano mais frio do mundo, mas valeu a pena… as paisagens são muito bonitas e não cheguei a navegar mesmo no Oceano Glacial Antártico, pois naveguei perto da costa.
Em França, decidi tirar uns dias para ir a Paris, à Torre Eiffel. Estava no último andar e só via casais felizes… eu e a Mariana sempre quisemos vir aqui juntos… Não!! Já chega de memórias, não me quero lembrar de mais nada! Desci da Torre Eiffel e havia uma pequena loja que dizia “L'amour est dans l'air” que significa “O amor está no ar” se bem me lembro. Entrei lá por impulso e dei-me de caras com a Mariana e o seu namorado! Ela disse-me logo olá e eu retribui-lhe o olá com um sorriso. Só me apetecia abraçá-la, mas o namorado dela estava lá… Pelo que ela me disse, ele chama-se Duarte e tem 25 anos. Conversámos durante um bocado e, no final, eu perguntei-lhes o que faziam ali e eles disseram que estavam em lua de mel! Eu paralisei, quando eles me disseram aquilo… a Mariana vai casar-se e eu não posso fazer nada! Ela perguntou-me o que fazia aqui e eu disse-lhe que estava a fazer a viagem dos meus sonhos e que tinha vindo a Paris por acaso. Ela sorriu… o sorriso dela era simplesmente perfeito! Inventei uma desculpa para sair dali, despedi-me deles e fui embora de Paris.
Passado um mês, cheguei a Lisboa. Fui ter a minha casa e não estava lá ninguém. Fartei-‑me de gritar pelo nome do meu pai e da minha avó e ninguém me respondia… procurei por toda a casa e, na cozinha, o meu pai estava… ele estava… eu não acredito! Ele estava MORTO!!! As lágrimas não conseguiam parar de escorrer pela minha cara! Ao lado dele, estava uma carta que dizia: “Querido Lucas, se estás a ler isto é porque eu estava enganado, mas eu achei que tinhas morrido e, como já não tinha mais ninguém, não fazia sentido viver, mas não te esqueças de que te amo! Até nunca, Lucas.” Liguei para o 112 e eles vieram logo ter à minha casa! Viram-no e confirmaram que ele estava morto… eu não estava acreditar no que estava a acontecer! Eu tinha acabado de perder o meu pai e não sabia onde estava a minha avó! Os médicos levaram o corpo para a casa mortuária e eu tentei ir também, mas não me deixaram! Os vizinhos vieram todos ali ter por causa da confusão e uma senhora que veio ter comigo disse que lamentava a minha perda, mas que a vida não acabava ali. Perguntei-lhe logo pela minha avó, pois de certeza que ela sabia dela! Ela não queria falar, mas acabou por dizer da maneira mais calma possível que a minha avó também tinha morrido!
Fugi para o barco. Eu não acredito que isto me está a acontecer! A pessoa que eu amo casou-se e a minha família morreu TODA! Ninguém devia ter de passar por isto! O único local que me faz sorrir é o mar… e é por isso que vou fazer o que vou fazer! Escrevi uma carta a dizer que ia viver no mar, num barco para o resto da minha vida e que, para sobreviver, ia parando em alguns países, para tomar banho e para comprar comida. Mas depois lembrei-me: a quem é que eu vou enviar isto?? A quem?? Ninguém se importa comigo!
Rasguei a carta e prossegui o meu caminho!



Texto realizado por :
Beatriz Duarte, nº 7, 7º B

Escola Básica nº 2 de Vilarinho do Bairro

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