O nosso singelo tributo ao povo da Madeira nesta hora de sofrimento...
Era uma vez um menino
Em seu jardim a brincar.
(Brincar, brincar, não brincava,
Sempre, sempre a meditar!)
Os outros vinham de longe
E a correr, para o levar.
(Correr, correr, não corria,
porém ficava a sismar.)
Na tarde de ouro se ouviam
Seus gritos enchendo o ar.
(Ele gritar, não gritava,
Mas calava-se a pensar.)
O mundo andava de roda
e tudo à volta a girar!
(Ele no entanto, cantava
Só a ver, a contemplar .)
E tudo quanto se via
E tudo quanto passava,
Nos seus olhos se detinha,
Na sua alma ficava.
Tenho sido espectador
E toda a vida serei.
Estar de fora da dor,
Aquém do palco, do riso,
Longe da arena do mundo!
É insensatez? É juízo?
É bom? É mau? Não no sei.
Mas quanto drama profundo,
Devagar, devagarinho,
Sem voz, sem gesto, sem cor,
Se infiltra tão de mansinho
Na alma do espectador?
Cabral do Nascimento, poeta nascido no Funchal em 22 de Março de 1897
(Recolhido em http://olhaioliriodocampo.blogspot.com)
Publicado pelo Clube de Jornalismo do Agrupamento de Escolas de Anadia. Notícias de atividades, opinião dos elementos da comunidade educativa sobre os mais diversos assuntos, trabalhos escritos pelos alunos no âmbito das várias disciplinas... e o que mais acontecer!
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