Endereço de correio eletrónico

ociclista@aeanadia.pt

sábado, 26 de setembro de 2015

Antes do Fim



 Era uma vez um rapaz de catorze anos, chamado Kalil, de origem árabe, que vivia na Síria, sendo filho de Samir e de Layla.
Kalil era um jovem adolescente bonito, alto, inteligente, simpático, mas tinha nascido no seio de uma família síria, no meio da guerra. Kalil tinha nascido com uma arma na mão e, tal como a maioria dos rapazes da sua idade, não ia à escola, não convivia muito e não tinha amigos. Sendo assim, em vez disso passava os dias na oficina com o pai a limpar armas e a arranjá-las, pois de um momento para o outro a guerra podia rebentar e não ter as armas operacionais era morte quase certa.
 Ora, estava Kalil a regressar da oficina com o seu pai, quando uma jovem adolescente passou por ele de arma na mão e se dirigiu a Samir:
  - Por favor, arranje-me esta arma. Ouvimos há pouco notícias de que a guerra estava para voltar. Esta é a única arma que temos, mas está encravada. O meu pai está doente e ele era o único que a sabia arranjar. Por favor, Sr. Samir, ajude-me!
- Querida Thaís, a guerra não vai nem volta… a guerra está sempre presente.
Pegou, então, na arma e colocou um braço, num gesto protetor, em volta da rapariga, dizendo:
- Não sabia que o teu pai estava doente e é claro que te arranjo a arma. Vens, Kalil?
O rapaz estava quase que petrificado a olhar para a beleza de Thaís que tal como ele nunca tinha ido à escola, não tinha amigos e passava os dias a trabalhar com a mãe. Foi preciso Samir abanar o filho para que este respondesse que iria com eles, pois nunca tinha estado em contacto com uma arma daquele tipo e aquela experiência podia ajudá-lo futuramente.
De volta à oficina, Thaís contou a Samir como a doença do pai era grave e que a sua cura tinha um custo demasiado elevado e, do canto do seu olho esquerdo, uma lágrima caiu, quando ela disse que o pai tinha poucos meses de vida. Kalil, por sua vez, não conteve o impulso e abraçou-a, beijou-lhe a testa e disse que ia ficar tudo bem e que juntos haviam de encontrar uma solução para que o seu pai não morresse. Samir ficou boquiaberto com a atitude do filho perante uma desconhecida, mas nada comentou. Mais tarde, quando a arma ficou pronta, Thaís agradeceu o facto de Samir não lhe ter cobrado nada pelo arranjo e foi para casa.
Kalil passou a noite inteira a pensar na rapariga de olhos azuis e cabelo negro que naquela tarde no seu peito tinha chorado. Pensava em como Thaís era a rapariga mais bonita que até então conhecera e, sem dar por isso, começou a imaginar como seria a sua vida ao lado dela. Imaginou como seria viver com ela longe da guerra, numa grande casa onde as crianças poderiam correr e brincar à vontade e foi com este último pensamento que a guerra rebentou.
Havia sangue, poças e mais poças de sangue por todo o lado assim como corpos, uns pequenos e frágeis, outros mais velhos e mais fortes. Mas de que valeria a força, a experiência, a inocência e a fragilidade, se agora tinham todos acabado de perecer? De que valeria tantos e tantos anos a trabalhar com armas, se agora eles jamais veriam a luz do dia?
Kalil correu de arma em punho para casa de Thaís, mas lá só encontrou um monte de corpos cinzelados de sangue. Aflito, Kalil chorou e gritou o nome de Thaís, na esperança de que ela ainda estivesse viva. Gritou então aos quatro ventos que a amava e, num gesto de pura loucura e desespero, ele correu para o sítio onde deveria ser o quarto da sua amada e, mais uma vez, chorou por ela não estar ali.
Foi então que Thaís apareceu à sua frente e Kalil correu para os seus braços, beijaram-se e entre lágrimas ambos disseram que se amavam e que iriam ficar para sempre juntos. Nesse mesmo instante, cruelmente uma bomba os atingiu, reduzindo os dois seres a cinzas, mas não as suas juras de amor eterno, pois aquilo que, em vida, Kalil e Thaís haviam prometido, no Paraíso, foi cumprido e as suas almas para sempre apaixonadas vaguearam pelo deserto em que a pequena aldeia, onde eles moravam, se tornou depois da guerra.
Ana Filipa Pires, nº 1, 9ºA
Escola Básica nº 2 de Vilarinho do Bairro, Anadia

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O ERRO QUE ME LEVOU A CONHECER O DESEJO DE DESISTIR



Já estou farta de ter de acordar todos os dias à mesma hora, aos  mesmos minutos, aos mesmos segundos. Já estou farta da rotina, dos horários, de ver sempre as mesmas pessoas, porém, apesar de tudo, tenho sorte em estar aqui.
Este dia por sinal até está magnífico, mas eu sem vontade de trabalhar e, olhando ao meu redor, não consigo contemplar a beleza em nenhum sítio. Eu só me encontro neste meu emprego, porque desde jovem que os meus pais queriam que eu fosse uma bonequinha, muito bem comportada e, na altura, não se cansavam de me dizer que no futuro deveria ter um emprego excelente, como o ser médica ou enfermeira, ou seja, algo que enveredasse pela vertente da saúde. Contudo, eu tinha escolhido ser escritora, uma vez que me apaixonara pela literatura e foi aí que cometi o maior erro da minha vida. Passo, pois, a contar:
- Estava um dia exatamente como este, quando acabara de publicar o meu primeiro livro. Para espanto meu, os meus livros foram comprados num abrir e fechar de olhos, mas o que eu não sabia é que quem os estava a comprar todos era a minha família para eu me sentir bem, pois, a meu ver, o meu livro afinal não servia nem para ler, nem para atirar à lareira. E eu inicialmente não me tinha apercebido disso. Ingenuamente pensei até que esse podia ser o livro que me iria levar aos píncaros da fama, mas enganei-me profundamente.
Toda a gente tinha odiado o livro, pois achavam-no muito simples, muito previsível e eu não podia fazer nada exceto sair dessa carreira falhada e trabalhar numa outra qualquer. O contra é que a minha especialidade se tinha centrado apenas na área da literatura. Porém, em contrapartida, tinha estudado em simultâneo o inglês como língua estrangeira e, sendo assim, podia emigrar para outro país. Então, optei por ir para Inglaterra. Um país esbelto, dado à criatividade, mas o grande problema é que aqueles que não tivessem grandes posses não iriam ganhar muito naquele país. Quanto a mim, decidi ir para uma escola dar aulas de Inglês a meninos carenciados, não ganhava muito, apenas o salário mínimo, e aí percebi o quão duro é viver a contar cada cêntimo que me entregavam. Chorava todas as noites pois, por vezes, não tinha dinheiro para comer nem para comprar roupa. Decidi desistir, desistir de viver, desistir de trabalhar.
Em conversa com a minha mãe, agradeci-lhe a ajuda que ela me tinha dado e informei-a de que iria voltar para junto dela, tais eram as saudades. No dia seguinte, comprei o bilhete de avião e voei até Portugal. Já em solo português,  sentia-me feliz pela primeira vez em cinco anos.
Abracei os meus pais com toda a minha força e pensei para comigo como foi possível ter-me deixado arrastar pela dor, pelo sofrimento. Estava na hora de mudar o rumo à minha vida!
Sejam, pois, como eu, que acabei por ver que nunca devemos desistir da vida! Se viemos ao mundo é porque precisam de nós! Não viemos para acabarmos cortados, sufocados por uma corda ou despedaçados depois de cairmos de uma ponte! Nada disso! Temos de viver como podemos e não nos podemos esquecer que a família é a melhor dádiva que nos podem dar!
Dedicado a todos os fortes deste mundo!
Francisca Rosário Costa, 7º C  

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Encontro inesquecível



Premiado com o 1º lugar, género narrativo, na categoria do 2º ciclo.
Parabéns Gonçalo!

Certa tarde, estava eu a ler um livro na biblioteca da minha escola quando, de súbito, ouvi um ruído que vinha da prateleira dos livros de aventuras. Curioso, decidi averiguar mais de perto o que se passava. Reparei que tal ruído “vinha” de um livro de Sherlock Holmes e retirei-o, um pouco a medo, da estante. Abri-o repentinamente e qual não foi o meu espanto, o detetive, que até àquele momento não passava de uma imagem, estava mesmo ao meu lado. Fiquei boquiaberto e incrédulo. Parecia magia! Estaria a sonhar?
Depois de me refazer da emoção, observei-o atentamente. Reparei que vestia a famosa gabardine, usava o seu chapéu, bem como a lupa e o seu inseparável cachimbo. Era alto, elegante e de olhos e cabelo claros.
Posto isto, interroguei-o:
- Qual o motivo de apareceres nesta escola e logo a mim?
- Senta-te que já te explico tudo calmamente.
Falámos durante imenso tempo. A nossa conversa foi longa, mas muito produtiva e eu bebia-lhe as palavras sábias que humildemente me transmitia. Contou-me como foi o seu percurso até se tornar famoso, o que me deixou fascinado e reconhecido pela confiança.
O famoso detetive disse-me que sabia que eu dava pouco valor à leitura e achou que deveria intervir, pois ainda era tempo de fazer algo por mim, ainda era tempo de me ensinar a mergulhar no mundo fantástico dos livros e de aprender a descobrir a enorme riqueza que guardam dentro de si. Sabia, também, que eu gosto bastante de aventuras e de investigar, mas ensinou-me que só se é um bom detetive graças à leitura.
Aprendi com ele que a leitura nos ajuda a interpretar o que se passa em nosso redor, a compreender mensagens e a decifrar enigmas. Também aprendemos muito vocabulário, o que nos dá muito “poder” para sermos bons falantes e sabermos apresentar e defender as nossas opiniões.
Foi um encontro inesquecível que ficará para sempre na minha memória e que mudou completamente a minha vida, pois a partir daquele dia os livros passaram a ser a minha companhia.
Gonçalo Santiago Ferreira, nº 8, 6º B

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Perfeição



Toda a gente diz que ninguém é perfeito, mas isso não é verdade, porque as pessoas só se tornam perfeitas, … se tiverem os seus defeitos. E não falo só do ser humano, falo de tudo, das flores, dos animais, até dos objetos …
Estão sempre a dizer que uma certa pessoa é imperfeita só porque é feia, ou gorda, ou magra, ou antipática, ou malcriada. Mas uma pessoa se é psicologicamente “má” é porque tem problemas, ou em casa, ou na escola, seja onde for ou seja com quem for. E uma pessoa que é “feia” ou talvez “gorda”, bem, não têm culpa de ser assim, elas não querem ser assim, mas não deviam sentir-se mal por serem diferentes, essas pessoas são únicas, são especiais, são perfeitas, e a única coisa que fazem mal é pensar que não o são, não importa o que os outros dizem ou pensam a única coisa que importa é o que pensam de si mesmas, é o que é preciso para serem felizes.
Um exemplo de animais, vejam o cão, muita gente os abandona por serem brutos, ou feios ou comilões, pensam que não têm sentimentos, que são lixo, mas um cão nunca deixa de pensar no dono, tem saudades dele, por mais mal que lhe tenham feito, prefere estar num sítio quente onde lhe davam um sermão todos os dias do que num sítio frio, sozinho e abandonado. 
Vejam uma flor, uma flor sem brilho, castanha e com uma solidão tremenda. Por fora pode não ser a flor perfeita, mas tem um brilho tão intenso que não se vê. Ou um quadro, imaginem um quadro, apenas com uma mancha negra, não tem nada, só uma simples mancha negra, aí uma pessoa vê … tudo, não há nada que lá falte.
Aonde eu quero chegar é … a imperfeição é o que nos torna diferentes, o que nos torna únicos, especiais.
E agora vou dizer tudo o que disse até agora em poucas palavras: A imperfeição é o que nos torna perfeitos.
Inês Ribeiro da Silva, nº 7, 5º B

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A princesa e o mundo



Premiado com o 2º lugar, género narrativo, na categoria do 1º ciclo.
Parabéns Inês!

 Era uma vez uma princesa chamada Lara que tinha nove anos. A princesa Lara era loira, alta, magra e muito simpática.
    A princesa tinha um desejo: conhecer o mundo lá fora, porque a sua mãe não a deixava sair do castelo.
Um dia, Lara teve curiosidade e perguntou à mãe:
- Mãe!
- Diz, filha.
- Porque é que não me deixas sair do castelo?
- Porque tenho medo que te aconteça alguma coisa! Há muitas pessoas más que te podem raptar. - respondeu-lhe a mãe.
- Mas eu quero ver o que há lá fora! - insistiu  a Lara.
- Eu não te vou deixar ir lá fora e a conversa acaba aqui!! - disse a mãe com firmeza.
Nessa noite, a princesa levantou-se, foi ao quarto da mãe certificando-se que ela estava a dormir, foi buscar uma mochila com roupa e comida. Também se lembrou de construir uma escada.
Depois da escada posicionada, a princesa desceu e foi à procura de um lugar para dormir. Ela decidiu ir pela floresta. Andou, andou até que encontrou uma gruta. Tirou a manta da mochila, deitou-se e não tardou a adormecer.
No dia seguinte, no castelo, a mãe da Lara chamou:
- Lara! Vem tomar o pequeno-almoço! - mas não obteve resposta.
Quando chegou à cozinha encontrou um bilhete que dizia ”Fui conhecer o mundo lá fora”.
A mãe da Lara ficou assustadíssima e muito zangada com a filha. Então, chamou dois dos seus servos e partiram à sua procura.
Na floresta, Lara acordou e saiu para conhecer o que a rodeava. Andou, andou até que encontrou três homens. Dirigiu-se a eles e disse-lhes:
- Olá! Sabem-me dizer onde fica o sítio mais bonito da floresta?
- Claro que sim! - disse um dos homens - Segue-nos.
 Lara não sabia que esses homens eram raptores. Andaram muito, até que Lara viu uma cabana onde os três homens entraram e lhe disseram:
- Esta é a nossa casa. Entra!
- Está bem - disse Lara.
- Vai àquele quarto. Tens lá comida e uma lareira para te aqueceres, se quiseres.
- Obrigada. Vocês são muito gentis. - disse a pobre menina, sem saber o que lhe estava a acontecer.
 Quando a Lara entrou no quarto, os homens trancaram-na lá dentro. Lara gritou:
 - Socorro! Ajudem-me! Estou trancada!
Mas ninguém a ouvia.
 Passadas algumas horas, a mãe da Lara ia a passar e ouviu os gritos da filha. Os criados entraram na cabana e, verificando que se encontrava vazia, arrombaram a porta. A rainha dirigiu-se ao quarto onde a filha estava presa.
A filha correu para a mãe, abraçando-a de alívio. A mãe disse-lhe:
- Prometes-me que nunca mais voltas a fugir? Já viste o perigo que correste?
- Prometo, mãe. Desculpa! Eu adoro-te!
- Também eu, meu anjo! O que eu faço é só para te proteger.
- Agora já sei disso. - respondeu a menina, ainda a tremer com o susto.
- Vamos embora para casa, antes que aqueles patifes voltem. Os meus homens ficam aqui para os apanharem e lhes darem aquilo que eles merecem!
Chegadas ao castelo, a mãe diz:
- Lara, estive a pensar. Se calhar, está na altura de começares a frequentar a escola. O que achas de te inscrevermos na Escola Real? A princesa sorriu e disse:
- Adoraria! Obrigada, mãe!
E foi assim que a vida da princesa Lara mudou. A escola é um lugar onde todos devemos estar e onde preparamos o nosso futuro. O mesmo acontece na vida de uma princesa!
Inês Vila Gomes de Góis, 4º ano, 9 anos, Centro Escolar de Sangalhos


Professora da aluna: Dália Susana Ferreira Lopes Fernandes