Era uma manhã fria de
inverno, o sol ainda não tinha nascido, nem os pássaros haviam dado sinais, mas
ali estava o navio mais destemido daquela época, navegando no alto-mar e mesmo
o facto dos marinheiros que faziam parte da tripulação estarem cansados, o
barco nunca parava de navegar.
Este navio tinha um
capitão, um homem frio como o gelo e impiedoso porém, ninguém sabia o que
acontecera na sua vida para explicar a sua maneira de encarar a realidade, com
tanta indiferença.
Todas as manhãs, lá
estava ele, na proa do navio, esfregando o crânio que lá se encontrava. Com os
cabelos loiros ao vento ao mesmo tempo que mirava o mar, com o olhar afiado que
os seus olhos azuis lançavam e a sua camisa branca de seda, acompanhava a brisa
salgada do mar. A típica beleza clássica de um capitão!
De facto, ficava horas
e horas a olhar o mar, num profundo silêncio exterior, que muitos acreditavam
ser também um silêncio interior, visto que ele raramente falava sem ser para
dar ordens, com uma voz grossa e intimidante.
- Será uma tempestade
que vem de bombordo? – perguntou ele, a certa altura, aos seus marinheiros.
- Sim, senhor! –
respondiam eles em coro, fazendo continência.
Sendo assim, após
avistarem uma tempestade, decidiram abastecer o navio a um porto.
E como era um navio
de guerra, “abastecer” poderia ser considerado como “roubar”. E, de facto, não
fugia muito da realidade, pois os marinheiros aproveitavam-se sempre da
situação.
- Trazei os vossos
pertences, senão quereis que o Capitão Negro vos mate! – gritavam os
marinheiros aos aldeões e aos pescadores.
Acompanhado do
nevoeiro da manhã, de repente, viu-se uma sombra a sair do navio, uma figura
alta e máscula, com cabelos compridos e leves, que à medida que se ia
aproximando ia ficando mais nítida. Era, claro, o Capitão.
Entretanto, uma mulher recusava-se a entregar
os seus pertences, então o Capitão foi até ela, ordenando aos marinheiros que
parassem de insistir. Estes pensaram que o Capitão lhe ia cortar a cabeça, mas
viram que ele tinha coração, portanto, pegaram nos pertences roubados e foram
para o navio. Momentos depois, avistaram o Capitão a atirar um beijo à bela
mulher, então partiram com o barco deixando-o em terra abandonado com a
donzela.
Ana
Neta, nº 3, 8º E
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