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domingo, 2 de setembro de 2018

A preparação para o fim


A viver a vida como uma espera,
Deixando-a passar, aguardando calmamente,
O dia em que esta venha a acabar.
A viver uma vida dormente,
sem nada querer alcançar,
sem nada desejar
e sem nada cobiçar.
Deixar os sentimentos passar ao lado,
tentando não ceder, nem por um bocado.
Não amar, não gostar, não se relacionar,
para nada temer no dia em que a morte chegar
Inês Silva, n.º 9, 12.º F, Escola Básica e Secundária de Anadia

sábado, 1 de setembro de 2018

Amanhã outra vez


Aqui estou eu,
encarando aquele que também me encara;
encarando uns olhos de gato velho,
tão vazios, cansados e distantes.
Vejo alguém que vê o mundo passar
enquanto procura, sem sucesso, o seu propósito.
E esse alguém, esse alguém
vê o mesmo que eu. 
Este sou eu hoje. Amanhã,
enfrentarei o espelho novamente.
Miguel Matos, n.º 14, 10.º B, EBSA

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A minha vida


A minha vida passei
Entre linhas e retalhos,
Mas sempre segui em frente,
Nunca olhei por atalhos.
Passei noites sem dormir
Para outros alindar,
Sempre me esqueci de mim,
Nunca parei p’ra pensar.
Um dia alguém me disse:
“Vive também para ti.”
Mas nesse momento,
Logo de mim me esqueci.
E assim eu fui vivendo
Entre linhas e retalhos,
Entre fitas e dedais,
Entre cantigas e lágrimas,
Entre suspiros e ais.
Já tanta coisa passei
Através da minha vida,
Mas ainda não parei
E nem me dei por vencida.
Fiz mantas de retalhos
E tanta coisa bonita,
Fiz vários trabalhos,
Uns de seda e outros de chita.
A nossa vida é assim,
Uma manta de retalhos
Feita através do tempo,
De variados trabalhos
Retalhos de panos finos,
E outros de sedas nobres,
Desprezados pelos ricos,
Eram as mantas dos pobres.
A vida foi passando,
Só pensando em trabalhar.
Esquecida que um dia
Também tenho de parar.
Zália da Silva Martins, Centro Qualifica, AEA