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domingo, 17 de abril de 2011

No meio da multidão

                 Encontro-me rodeado de alegria e de felicidade que paira em todos os cantos pelos quais eu passo. Vejo-me cercado de árvores florescidas e animais a cantar, crianças sorridentes e pessoas em pequenas conversas animadas, mas mesmo assim, como um contraste de diversas cores, sinto-me apartado da multidão.
                    Vou à praia, vejo o mar infinito e o céu límpido e então, sinto-me melhor, pois no vasto areal as minhas lágrimas, que mais parecem pequenas estrelas cintilantes, caem e rapidamente, se escondem por entre as pedrinhas de areia.
                    Ao cair da noite, fixo o meu olhar nas verdadeiras estrelas do negrume do céu e abstraio-me da realidade, dando-lhes nomes estranhos. Afinal, sozinho como me sinto, tempo tenho eu para tudo.
                    Momentos depois, olhando para o grande universo, sinto o meu peito mais preenchido, vejo a imensidão do espaço e reparo no meu vazio, que teima em prevalecer.
                     No entanto, num dia de chuva, raios governam o céu, as nuvens choram, mas alegre o meu coração está. Nesse ambiente que se faz sentir, não me sinto sozinho, pois estou acompanhado pela Natureza. Alguém partilha assim a minha dor, que eu não desejo a ninguém e pouco a pouco, ela desvanece.
                     De repente, apetece-me fugir, encontrar uma saída, esconder-me do sofrimento, perante a angústia de morrer. Mas, encontrando a saída, apercebo-me de algo importante: uma saída é sempre uma entrada para outro lugar. Saio então da infelicidade e na alegria eu entro, contente e feliz me sinto, sozinho já não estou. E no meio da multidão, já sou uma pessoa comum como as outras e apartado da multidão jamais me sentirei!

Kewin Neves, nº 12, 9º F

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