Equipa d´O Ciclista

Clube de Jornalismo O Ciclista:

Coordenação: Dra. Graça Matos e Dra. Sara Castela

Dra. Miquelina Melo – Membro Honorário

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sábado, 4 de janeiro de 2014

Dia Mundial do Braille


Foi-nos pedido que redigíssemos um texto sobre o Dia Mundial do Braille que se celebra hoje, dia 4 de janeiro. Este pretende, acima de tudo, chamar a atenção para os problemas das pessoas que são invisuais.
Louis Braille, que ficou cego aos 3 anos de idade, foi professor e compositor. Compôs livros para facilitar o ensino e elaborou, com Foucault, um novo alfabeto para cegos, também aplicado à música, à estenografia e ao cálculo, modificando preponderantemente a educação dos mesmos.
Vamos, então, apresentar-vos a história que decidimos criar. 

Invisual não incapaz

Senti ternamente a felicidade da minha mãe. Depois, escutei-a delirante ao dar a notícia ao meu pai. Como ele ficou também emocionado! Pegou nela e rodopiou-nos aos dois no ar e, por fim, decerto exausto pelo esforço, lá acabou por nos deitar no relvado do jardim que circundava a nossa casa e acariciar a barriga onde eu ainda nem sequer me fazia notar.
Os meses foram passando tão rapidamente que me vi no sufoco da saída para o exterior. Pois, o sofrimento também é nosso!
Havia algo de estranho. Falavam de cores, de muitas cores. Mas eu não as conseguia ver.
A mãe? O pai? Escutava-os. Sentia-os. Mas não os via. Eu bem tentava abrir os olhos. Tinha-os aberto. Ou não?! Sim, claro que tinha! O que se passava com eles? Porque não os estava a ver?
A minha mãe decerto que iria falar com o meu pai e ele ia ‘consertar’. Lembro-me de por vezes ela dizer: “Amor, está uma torneira a pingar” e, logo de seguida, ele ia arranjá-la. Portanto, para quê incomodar-me? O papá ia-me, com toda a certeza, ‘consertar’!
A médica pediatra, como lhe chamaram, que me veio ver, disse aos meus pais que precisava de falar com eles. Senti que eles ficaram muito agitados. Porque seria?
- Sabem… - começou a pediatra. – o vosso filho é um bebé saudável.
- Por favor, - disseram os meus pais em simultâneo. – diga-nos o que se passa.
- Com certeza! O vosso bebé nasceu com uma deficiência visual.
- O que é que significa? Estará a dizer-nos que é cego? – ouvi o meu pai a questionar.
- Sim. E, infelizmente, não podemos fazer nada.
Senti, então, a minha mãe levantar-se e pegar em mim ao colo.
- Sabes, meu amor, és o ser mais maravilhoso e perfeito que eu já vi em toda a minha vida. És fruto do amor de duas pessoas que vão cuidar de ti e fazer de ti um homem fantástico, capaz de vencer barreiras.
Senti a força daquelas belas palavras percorrerem o meu pequeno corpo como se um fogo alastrasse pelas minhas veias e as mãos fortes do meu pai, que se juntaram a esse abraço, e isso foi tudo o que eu precisei para compreender que a visão, ou a sua falta, era apenas um pormenor.
Cresci rodeado dessa força que os meus pais e depois também a minha irmã, dois anos mais nova, me deram e continuam a dar.
Aprendi o alfabeto Braille, o que facilitou bastante os meus estudos, era a minha forma de ler, de estudar, de sonhar. Aliás, de sonhar com um futuro em grande como sempre me ensinaram os meus pais, a mim e à minha irmã.
O Braille abre-me fronteiras extraordinárias que me permitem ir cada vez mais longe. A busca do conhecimento tornou-se parte de mim e eu sou feliz.
Atualmente estou a estudar engenharia eletrónica. Na realidade, já estou a fazer o estágio numa empresa e eles pretendem ficar comigo, pois gostam muito do meu trabalho. E eu estou a adorar!
Dizem que um invisual de nascença desenvolve outras capacidades, nomeadamente o sentido auditivo. Talvez tenha sido esse que me tenha levado a estar tão atento a todos os pormenores desde o dia que nasci.
Nunca me esqueço do que os meus pais me disseram naquele dia no hospital: que eu iria ser capaz de vencer barreiras. Penso que não sou só eu. Mas todos nós!

Adriana Matos e Sofia Pedrosa, O Ciclista

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dia Mundial do Braille



4 de janeiro: “Dia Mundial do Braille”

Os problemas dos cidadãos invisuais acompanham-nos ao longo da maioria das suas atividades. Assim, para já não falarmos da discriminação de que são muitas vezes vítimas, lembramos as múltiplas barreiras que diariamente se lhes deparam. 

Louis Braille, francês, nasceu em Coupvray a  4 de janeiro de 1809 e faleceu em Paris, a 6 de janeiro de 1852) raramente Luís Braille.

Com apenas três anos, Louis Braille feriu-se no olho esquerdo e a infeção acabou por atingir também o olho direito que lhe provocou a cegueira.
Louis Braille desenvolveu um sistema de leitura para pessoas invisuais, que ficou conhecido pelo seu nome, “Método de Braille”. Este método permitiu aos invisuais acederem a algumas das mais elementares atividades, como a leitura.
braille é lido da esquerda para a direita, com as duas mãos ou apenas com uma. Cada célula braille permite 63 combinações de pontos. Assim, podem-se designar combinações de pontos para todas as letras e para a pontuação da maioria dos alfabetos.
Vejamos o exemplo do nome do seu autor:
Esperamos que todos, nomeadamente os autarcas e empresários, continuem a lembrar-se que eles também são cidadãos de primeira. Pois, desde sempre, as escolas do Agrupamento de Anadia foram pioneiras em ter uma oferta educativa capaz de acolher todos os cidadãos e a tratá-los de igual forma, salvaguardando as suas diferenças. 
O Ciclista assinala este dia com a apresentação de uma história que relata um amor ilimitado e, embora ficcionado, transmite uma bonita mensagem. E, aproveita para saudar todos os invisuais, particularmente os que residem no nosso concelho.


A Equipa d´O Ciclista